Encontrei o trecho abaixo lá pelo meio da Teoria dos Sentimentos Morais, primeiro livro de Adam Smith, publicado em 1759. O trecho é a melhor descrição que encontrei até agora para o ressentimento que parece mover a onda conservadora pela qual estamos passando.

Pela descrição, a impressão que fica é que o ressentimento não vai passar tão cedo.

“O propósito mais almejado pelo ressentimento não é tanto fazer com que nosso inimigo, por sua vez, também sinta dor, mas fazê-lo saber que a sente por causa de sua conduta passada, fazê-lo arrepender-se dessa conduta e perceber que a pessoa que ofendeu não merece ser tratada daquela maneira. O que mais nos enraivece no homem que nos ofende ou insulta é a pouca conta em que parece nos ter, a preferência insensata que dá a si mesmo em detrimento de nós, e o absurdo amor de si que o faz imaginar que outras pessoas podem a qualquer momento se sacrificar por seus caprichos ou humor.”

Não acho que os políticos religiosos e aristocráticos que estão sendo eleitos sejam as pessoas mais habilitadas para diminuir esse ressentimento. Pelo contrário, eles têm potencial para aumentá-lo.

Resta saber como o público vai reagir quando os problemas que esperava resolver crescerem mais em vez de diminuir.

Peru de natal preventivamente ressentido.

Peru de natal preventivamente ressentido.