É difícil defender redução de direitos trabalhistas e previdenciários ao mesmo tempo em que se defende a manutenção de isenções fiscais e de descontos de imposto para as maiores empresas do país.

O pato amarelo da Fiesp é isso: é a defesa – explícita e meio enfeitada – das reduções de imposto que alguma das maiores empresas do país conseguiram no apagar das luzes do primeiro governo Dilma.

Por que preservar a Fiesp e cortar direitos de futuros aposentados?

Eu sei: a tendência do déficit da previdência é crescer à medida que a população envelhece e, para que não fique explosivo, vai ser preciso mudar as regras. As mudanças de regras, na prática, só farão alguma diferença no longo prazo.

Eu sei também que é preciso discutir que mudanças fazer, que aumentar a idade mínima é razoável (porque as pessoas estão vivendo mais), mas aumentar o tempo mínimo de contribuição é regressivo, porque pune as pessoas que não conseguem ficar muitas décadas em empregos com carteira assinada: pune os mais frágeis.

Então, não dá para aprovar qualquer coisa.

Mas a reforma seria mais palatável se, ao mesmo tempo em que se cortam direitos previdenciários fixados em lei para a população, se cortassem as isenções tributárias concedidas em ano eleitoral a empresas que estão longe de precisar de caridade do Tesouro Nacional.

Se é para fazer as cosias direito, vamos começar assando o pato amarelo?

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Pato do imperador: assado no Egito, em 5.000 AC.

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Futurologia fácil

março 22, 2013

A incerteza sobre o futuro tem sido a principal explicação para o baixo investimento e para a lentidão da economia.

Mas a incerteza está diminuindo – e já é possível traçar um quadro mais nítido sobre como será 2014. Já dá até para ter uma ideia do que será 2015.

E eles serão ruins, muito ruins.

Se a incerteza deixa um resto de esperança, o improviso de políticas erradas acaba até com isso.

É sempre difícil prever o futuro. Milhares de coisas e pessoas interagem dos jeitos mais diferentes para chegar a resultados realmente imprevisíveis.

Mas não é tão difícil assim prever que, se fizermos tudo errado, as coisas não vão acabar bem.

Cortar imposto e aumentar o gasto público estimula a demanda, aumenta a inflação: é o que os economistas chamam de política fiscal expansionista.

Manter os juros reais mais baixos da história do país estimula a inflação – em economês: política monetária expansionista.

Aumentar a oferta de crédito via bancos públicos aumenta a inflação – em economês: mais política monetária.

Tentar segurar aumentos de preço com jeitinhos (tipo adiar aumentos de tarifa de ônibus e isentar a produtores de alimentos do PIS) não afeta a inflação. Em economês: é um delírio completo.

A conclusão de que a inflação vai subir não é nenhum primor de futurologia: é só a consequência natural de fazer tudo errado.

Com inflação em alta em ano eleitoral e um governo que gosta de improvisar, podemos esperar um 2014 com várias respostas erradas aos problemas – do tipo que têm efeitos colaterais bizarros.

Em suma: passamos da incerteza para a certeza da crise. Se tivessem mudado o ministro na época em que a Economist pediu, podíamos, pelo menos, ter continuado com a incerteza…

Excesso de maquiagem?

Excesso de maquiagem?