Rio de Janeiro, 22/07, 21h – A cobertura dos protestos no Rio de Janeiro está sob censura policial. Os repórteres do último canal 100% independente que transmitia ao vivo (e sem edição) os protestos foram presos hoje pela Polícia do comandante Mariano Beltrame. Os três repórteres do grupo Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação (NINJA) que cobriam o protesto de hoje estão agora na delegacia do Catete, acusados de “posse de material explosivo” (seus telefones celulares?).

A cena de prisão, filmada pelos repórteres e transmitida ao vivo, não mostra nenhum “material explosivo”. O policial que fez uma das prisões recebeu a ordem para prender o repórter por telefone*.

Enquanto a Globo mostra o papa sorrindo na TV, a polícia do Rio de Janeiro dispara bombas de gás e balas de borracha contra os manifestantes perto do palácio do governo. A polícia, mantendo a tradição, esperou os políticos saírem para dispersar o protesto.

Passei por Laranjeiras hoje à tarde. Confesso que nunca tinha visto tantos policiais juntos. Eles estavam sorrindo – o que não achei um bom sinal – e carregavam escudos do Batalhão de Choque. Vi alguns com as balas de borracha  penduradas em diagonal sobre o peito.

Ah, sobre a visita papal, nada demais. João Paulo II deu tapinhas nas costas de Augusto Pinochet quando visitou o Chile. O papa Francisco cumprimentou Sergio Cabral na decida do avião, cumprimentou Renan Calheiros – e vai ficar sorrindo enquanto os caricas que reclamam do governo respiram gás lacrimogênio e tomam bala de borracha. Vai promover – voluntariamente ou não – os políticos que saem com ele na foto.

Se não reclamar da violência policial e da censura (da  prisão dos ninjas), o papa sairá do Brasil muito pior do que chegou – sairá conivente.

Abaixo, as fotos do bairro de Laranjeiras, tiradas há pouco, que já saíram nos sites de jornais:

policia reprime manifestação tiroRio 22_07_2013violencia policial

* PS.: Os jornais do dia seguinte (23/7) listaram a acusação como “incitar a violência”. Muita coisa foi dita pelos policiais no vídeo – até que os repórteres fossem soltos, por volta de 22h30.

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