Enquanto as montadoras anunciam airbag e ABS como “atrativos” em seus anúncios televisivos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisa com a maior naturalidade que os carros brasileiros podem continuar sem esses equipamentos de segurança por mais uns anos.

Como se sabe, uma mistura de chantagem e cara de pau da indústria, reforçada pela submissão do governo, com uma pitada de boa vontade da imprensa, tem atrasado a obrigatoriedade do airbag e do ABS nos veículos brasileiros, prevista por lei desde 2009.

(Não custa repetir que o airbag é obrigatório em todos os carros dos EUA desde 1998 e que nenhum carro sai de fábrica sem ABS na Europa desde 2007.)

O argumento da indústria, desta vez apresentado por porta-voz de luxo, é o de sempre: a elevação dos custos pode pressionar o mercado, causar aumento de preços e, claro, resultar em demissões.

Nenhuma referência ao fato de as filiais brasileiras terem a maior margem de lucro no mundo e de a obrigatoriedade, além do atraso em relação aos países mais ricos (e alguns dos mais pobres), estar prevista desde 2009. Tampouco comentários sobre a lógica econômica inusitada que presume que os custos serão sempre repassados integralmente ao consumidor e à ladainha ancestral de que a grande preocupação dos executivos é com o emprego dos operários. Falência do modelo do transporte motorizado individual, então, nem pensar.

O brasileiro, ao que parece, é apaixonado por carro e por uma história muito mal contada.

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