Tudo que você sempre quis saber sobre o PIB (mas tinha medo de perguntar)

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À venda, na Amazon.

Quando eu trabalhava calculando o PIB, uma das muitas coisas que eu (e a equipe das contas nacionais) não sabia era: o que dar para os novos funcionários lerem quando eles chegavam lá.

Os relatórios metodológicos e manuais tradicionais são inacreditavelmente chatos, são muito burocráticos. Então – enquanto preparava um curso sobre o PIB e os conceitos das contas nacionais – pensei em resolver logo os dois problemas: apresentar o básico que um analista precisa saber sobre o PIB e criar um livro curto e direto, sem muitas firulas, para servir de introdução ao tema.

O resultado – graças às facilidades de publicação da Amazon – é este livro, que está à venda em formato kindle no site da Amazon.

Editei também uma versão em papel em formato pocket (que ainda não consegui deixar disponível no site da Amazon Brasil). Ela pode ser comprada por este link.

A versão impressa – em papel pólen, leve e (modestamente) muito bem editada – também serve como presente para estudantes de economia. Eles têm sempre uma matéria obrigatória de contas nacionais na faculdade e, agora, já podem ler alguma coisa simples e interessante sobre o tema.

Para os não economistas, o livro serve para desfazer os mitos sobre o PIB – como o de que é uma medida de riqueza (não é, é de geração de renda). Como número mais pop da economia, o PIB é citado por muitas pessoas, mas a maior parte delas não sabe muito bem o que ele mede.

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Para estudantes de economia e para quem quer saber o que é o PIB

A Amazon não cresce à toa. É, provavelmente, a única editora que fica fustigando as pessoas a escrever e publicar. Semana passada, recebi um e-mail de seu serviço de publicação (kindle direct publishing) sobre sua nova ferramenta de edição (que torna mais fácil formatar textos com tabelas e gráficos).

Formatei então o pequeno manual que fiz para um curso de contas nacionais. A versão impressa ficou com 100 páginas em formato pocket. A versão kindle ficou com 4352KB – o que quer que isso signifique. Deve ser o único livro de contas nacionais de bolso.

Ele tem o básico – e tenta desfazer os mitos sobre o PIB. O PIB não é uma medida de riqueza (é de renda), o PIB não mede produção (mede valor adicionado), o PIB não foi feito para medir bem estar social (para isso, há outros indicadores), o PIB não é ruim (há quem diga que é, mas medir a renda não é ruim, é produzir informação).

Incluí no texto dois boxes com códigos de R usados para fazer o ajuste dos dados do PIB trimestral ao anual e para fazer ajuste sazonal (do jeito que é feito nas Contas nacionais). Para quem é estudante de economia, as definições e tabelas com exemplos devem ser a parte mais útil do texto. Para quem só quer não repetir as besteiras que todo mundo diz sobre o PIB, os três primeiros capítulos já são mais que o suficiente.

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Livro de graça na Amazon

Está de graça, na Amazon, o livro que escrevi para o Prêmio Kindle de Literatura do ano passado (que não ganhei).

O livro é a história de uma estudante de economia que, depois de participar de uma boa quantidade de projetos e situações surreais na empresa onde trabalha, se convence de que vendeu seu tempo ao diabo.

Ela não é exatamente a bondade em pessoa, mas se assusta quando se dá conta do que está fazendo.

A versão grátis do livro é para kindle (e também pode ser lida em celulares, tablets e computadores).

Para quem preferir, há uma versão impressa – com capa fosca e papel creme – que atende a todos os caprichos de quem gosta do bom e velho livro em papel.

A versão impressa, no entanto, ainda não está a venda no site da Amazon Brasil. Na Amazon EUA, neste link, o livro pode ser comprado por US$ 4,95 (+ frete).

O site da Amazon só deixa a versão kindle com preço zero por cinco dias, quer dizer, até o dia 24/11.

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Não é o Harry Potter (mas vale a pena).

Não matarás

Não sou religioso. Mas sempre levei a sério o sexto mandamento, o não matarás. É um principio básico de civilização: não dá para viver com muita gente por perto sem ele.

Ele é também um sinal de honestidade e humildade: nenhuma certeza, nenhuma convicção, nenhum rolex de ouro vale a vida de uma pessoa.

Mas me espanta ver religiosos (dos mais diversos credos) deixando de lado o não matarás. Eles idolatram um político que diz justamente: “Matarei!” e diz também: “A polícia matará” e diz: “Eu defendo valores cristãos”.

Não, não defende.

E se o não matarás – além de lei enviada por Deus – é também um princípio básico de civilização, então…

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Morte – México, Museu de Antropologia.

De volta à selva?

Darwin não tem culpa. Ele só descreveu o processo, não inventou o que aconteceu conosco. E o que aconteceu foi bom: conseguimos criar cidades, normas éticas, maneiras de viver muito melhores que as dos primeiros humanos (que tinham que caçar e, eventualmente, fugir de leões para sobreviver).

Só que nosso corpo não mudou muito desde o surgimento do primeiro homo sapiens. Nossos instintos e reações básicas são os de um caçador (e, eventualmente, de caça em potencial). Sentimos raiva e medo. E isso nos ajudaria a atacar ou a fugir de um animal selvagem – mas atrapalha muito quando vivemos em uma cidade densa esbarrando (tão educadamente quanto possível) em nossos vizinhos.

Ao longo dos séculos, no entanto, temos conseguido (em alguma medida) controlar nossos instintos mais apavorados e agressivos.

Há períodos, é claro, em que é mais difícil. Mas se adotarmos o padrão de comportamento da selva, acabaremos voltando para ela. Voltaremos a uma vida que o filósofo Thomas Hobbes chamou de estado natural – e descreveu como “solitária, pobre, sórdida, bruta e curta”.

Precisamos respirar fundo e, educadamente, falar. Falar até com os humanos mais detestáveis, porque, fora da selva, rugir, pular em pescoços ou sair atirando não vai resolver problema nenhum.

Na cidade, na civilização, no mundo do auto-controle, temos mais ferramentas para lidar com qualquer problema. E, ao longo da História, já saímos de várias crises de formas civilizadas. Temos a capacidade física de fazer isso (não só a de replicar os primeiros homo sapiens). A dúvida é se vamos fazer ou não.

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Respirem profunda e lentamente.

4% para a saúde

O governo gasta, com saúde pública, menos de 4% do PIB: 3,9% (incluindo hospitais militares, hospitais universitários e medicamentos distribuídos – e o SUS inteiro, claro).

É um pouco irritante ver candidatos e assessores de candidatos citarem números errados para tentar vender seus programas. Paulo Guedes, candidato a czar econômico de um dos candidatos a presidente, disse, em entrevista ao jornal El País, que o governo gasta 5% do PIB com saúde e 6% com educação. Seria pouco se fosse isso, especialmente com saúde, mas é menos ainda.

Custa usar o número certo?

O site do IBGE tem, além do PIB, o consumo do governo: o gasto do governo para produzir serviços públicos e para comprar os bens serviços que põe a disposição do público (como os serviços de santas casas conveniadas ao SUS). Com saúde o governo gasta 3,9% do PIB, com educação, 4,8%.

Quem gosta de comparações internacionais pode ver no site da OECD quanto os países com bons níveis de educação e saúde gastam com cada um (o dado de gasto com saúde no Brasil, no site da OECD, está defasado, parece ainda menor do que é).

Candidatos, discutam com os números certos.

Só para registro: o consumo do governo, em 2017, foi equivalente a 20,0% do PIB. Quer dizer: além dos menos de 9% gastos com educação e saúde, o governo gastou 11% do PIB com segurança, legislativo, judiciário, regulação, defesa e tudo mais que o governo produz. De novo, não é muito comparando a outros países, não justifica políticas que cortam a prestação de serviço público para economizar recursos.

O governo gasta mais de 40% do PIB, mas a maior parte disso não é gasta com serviço público é gasta com transferências (juros, aposentadorias, pensões, programas assistenciais e afins): é dinheiro redistribuído.

Para falar em corte de gastos, é preciso deixar absolutamente claro com o que se gasta.

Com saúde e educação, o governo gasta pouco, devia gastar mais.

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Temas espinhentos?

 

Cadê o TSE?

Abaixo, os altos de página do Globo e Folha, exatamente como estão nos respectivos sites, agora, às 22h de domingo, dia 22 de julho.

A desproporção do espaço dado a Bolsonaro não é de hoje. Os jornais nunca deram um décimo desse espaço para Marina Silva. Nem para Geraldo Alckmin dão todo esse espaço.

Não adianta dizer que é para falar mal. Foi falando mal – e dando um espaço grátis impressionante em suas capas e programas de TV – que a imprensa americana ajudou a eleger Donald Trump.

Não havia uma lei sobre igualdade de espaço para candidatos na imprensa em tempos de eleição?

globo

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