Lembrem de que vocês vão querer se reeleger algum dia

O deputado que apoiar as “desvinculações” de gastos com saúde e educação que o governo está alardeando nunca mais se elegerá para nada – nem com apoio da Record e do bispo Macedo.

Mesmo as ovelhas mais crentes vão estranhar se os pastores dizerem que gastar com saúde e educação é bobagem, que é melhor cortar gastos e manter a carga tributara baixa para os bancos porque os donos do Itaú precisam de cada centavo do seu lucro recorde.

Aliás, o dogma pato amarelo de que “a sociedade não quer mais aumentos de impostos” é uma das maiores obras de marketing desse governo. Um aumento de imposto para os bancos seria muito bem vindo. Nos EUA, os pré-canditados à presidência têm discutido aumentos para as faixas mais altas do imposto de renda, impostos mais altos sobre dividendos e impostos sobre patrimônio para pessoas com grandes fortunas. Tudo isso seria bem vindo aqui.

Se o problema é falta de recurso, por que não taxar quem, sistematicamente, tem recurso sobrando?

O governo querer cortar verba da educação é uma coisa. Outra coisa é ele conseguir. A vinculação de gastos  do orçamento existe justamente para o governo não poder fazer o que quiser: foi criada porque políticos como Guedes não são confiáveis com tesouras na mão. A vinculação de gastos é uma proteção contra eles, contra o mal que poderiam fazer para manter baixa a carga tributaria dos bancos onde já trabalharam.

E está na Constituição. A vinculação do orçamento precisa de 2/3 do Congresso para ser derrubada – em ano de eleições municipais.

Não. Acho que não passa.

telhado

Gato que quer subir no telhado.

Os editores estão na primavera literária

Ausência de evidência é diferente de evidência de ausência. Pensei que o país não tinha editoras, mas não é isso: eu é que não estava conseguindo encontrá-las. Hoje encontrei. Elas, de um jeito muito solícito, se reuniram em uma feira literária, nos jardins do Palácio do Catete. Ainda vão estar lá amanhã (06/10).

O melhor da feira é conversar com os editores – que estão nas banquinhas de suas pequenas empresas vendendo livros. Basta chegar perto, pegar um livro e, em segundos, o sujeito atrás da banca começará a contar o enredo e a falar, com entusiasmo, sobre os outros livros do autor.

Me recomendaram bons livros de que eu nunca tinha ouvido falar: de quadrinhos de luxo (graphic novels) a terror carioca. Sim, terror carioca! Porque não tinham pensado nisso? Bom, na verdade tinham:

“O subúrbio do Rio de Janeiro tem muitas histórias. Escolhi contar as assustadoras”, escreveu Hedjan C.S., autor de Gótico suburbano, na dedicatória do livro que comprei com ele no estande da Luva Editora. O editor do Livro, Vitor Uchôa, ao lado de Hedjan no estande, me disse: “edito histórias daqui, de autores brasileiros, sobre temas daqui”.

Fiquei feliz de ouvir. O que as grandes editoras não fazem, as pequenas correm atrás e fazem. Com menos recurso, menos divulgação e menos estrutura, elas se arriscam mais e lançam os autores locais, que contam histórias que eu quero ler.

Não quero reler Baudelaire nem ler o último Stephen King. Mas esses dois estão hoje na página de abertura do site da Cia. as Letras. Que fiquem lá. Minha pilha de livros agora tem histórias de Jupati Books, Editora Valentina, Andrea Jacobson Estúdio e Luva Editora.

Estava sentindo falta de livros originais para me fazer voltar a ler com gosto. Nem sei como agradecer às pequenas editoras (mas prometo comprar mais livros). Obrigado.

Primavera dos livros

Primavera literária