Desminionizamento

O santo graal da política hoje, aquilo que todas as pessoas minimamente preocupadas com o destino do mundo procuram, é o processo de desminionizamento. Descoberto o processo, será possível fazer com que uma grande quantidade de pessoas concorde (novamente) que a tortura é uma coisa que não deve acontecer nunca, com ninguém, que o Estado não deve matar pessoas nem perseguir minorias e que crimes de Estado não farão do mundo um lugar melhor, pelo contrário.

O método deve envolver figuras ou (preferencialmente) vídeos, pois os mínions são muito resistentes a textos e são capazes de ignorar completamente argumentos apresentados oralmente por um interlocutor de carne e osso.

Se o processo funcionar, o ex-mínion se tornará capaz de dizer coisas como: “a apologia da tortura é crime, como alguém pode fazer uma coisa dessas?”, ou: “não sei como apoiei essa bizarrice, mas é melhor admitir que estava errado do que insistir nesse absurdo” ou ainda: “não faz sentido apoiar políticos preconceituosos que defendem a execução de bodes expiatórios”.

Alguns acadêmicos dizem que o minionismo tem a ver com a incapacidade dos mínions de se colocar no lugar de outras pessoas. Ele seria uma espécie de aristocratismo de pobre (ou de rico mesmo, em alguns casos). O método desminionizador, então, poderia criar imagens do mínion sendo torturado na frente de um presidente que ri e diz: “Vou te contar como ele morreu” ou imagens da família do mínion sob a mira de policiais acompanhados por um presidente que, de novo,  ri e diz: “Vão morrer como baratas!

Mas talvez nem assim o mínion consiga se pôr no lugar das pessoas transformadas em bodes expiatórios por políticos populistas. Nos EUA, já há mínions promovendo massacres de latinos em cidades na fronteira enquanto o presidente local diz que deputados negros devem “voltar para os lugares infestados de crimes de onde vieram“.

Aqui, estamos copiando o modelo – e nossos mínions já são tão ou mais resolutos que os deles. A defesa do extermínio está no twitter e na boca dos presidentes. E não é a primeira vez na História que chefes de estado defendem o assassinato de parte da população.

É preciso impedir que isso evolua, é preciso tirar o apoio popular desses políticos. Por isso digo que o desminionizamento é o santo graal da política. Ele é nossa única esperança.

Espero que alguém descubra logo o processo. Os mínions da minha família continuam ignorando todos os meus argumentos. É como falar com as paredes.

Mínion, eu?

PS. Nem todos os apoiadores do governo são mínions. Mas os que não são são piores ainda. Eles têm mais clareza sobre o que estão fazendo…

Uma resposta em “Desminionizamento

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