Tudo que você sempre quis saber sobre o PIB (mas tinha medo de perguntar)

capa contas

À venda, na Amazon.

Quando eu trabalhava calculando o PIB, uma das muitas coisas que eu (e a equipe das contas nacionais) não sabia era: o que dar para os novos funcionários lerem quando eles chegavam lá.

Os relatórios metodológicos e manuais tradicionais são inacreditavelmente chatos, são muito burocráticos. Então – enquanto preparava um curso sobre o PIB e os conceitos das contas nacionais – pensei em resolver logo os dois problemas: apresentar o básico que um analista precisa saber sobre o PIB e criar um livro curto e direto, sem muitas firulas, para servir de introdução ao tema.

O resultado – graças às facilidades de publicação da Amazon – é este livro, que está à venda em formato kindle no site da Amazon.

Editei também uma versão em papel em formato pocket (que ainda não consegui deixar disponível no site da Amazon Brasil). Ela pode ser comprada por este link.

A versão impressa – em papel pólen, leve e (modestamente) muito bem editada – também serve como presente para estudantes de economia. Eles têm sempre uma matéria obrigatória de contas nacionais na faculdade e, agora, já podem ler alguma coisa simples e interessante sobre o tema.

Para os não economistas, o livro serve para desfazer os mitos sobre o PIB – como o de que é uma medida de riqueza (não é, é de geração de renda). Como número mais pop da economia, o PIB é citado por muitas pessoas, mas a maior parte delas não sabe muito bem o que ele mede.

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Só o constrangimento salva

O novo governo começou com brados contra o politicamente correto e declarações desmentidas sobre política econômica. A única coisa mais ou menos consistente nele – desde a campanha eleitoral – é a parte sobre valores: há meses o eleito prega a volta aos anos 50. Nessa época, declarações racistas, homofóbicas e sexistas eram motivo de risos alegres, sem constrangimentos.

Eu sei, sempre é possível destruir coisas e correr de volta para a Idade das Trevas. Mas tenho dúvidas sobre se, depois de minimamente entender que o preconceito não é uma coisa boa, os eleitores do eleito conseguirão voltar às piadas preconceituosas sem sentimento de culpa.

Minha dúvida é a seguinte: é psicologicamente possível, para cada eleitor em particular, retroceder na escala do politicamente correto?

Para o bem ou para o mal, essa dúvida será tirada. Vamos ver, nos próximos meses, se os sujeitos que se sentiam tolhidos pelo politicamente correto podem voltar a discriminar pessoas sem serem responsabilizados ou sem, de alguma forma, perceberem que estão do lado do crime (sim, discriminação é crime).

Se é uma guerra cultural o que vem por aí, um dos lados já pode começar sabendo que está errado. Por mais que pastores e ministros(as) digam que estão fazendo o bem, as ovelhas saberão. Quem já passeou fora da caverna não consegue voltar a viver no escuro.

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Ovelhas de Platão ouvindo o discurso de posse.

Mas e quem nunca saiu da caverna? É muita gente? Eles não se sentirão constrangidos? Vai ser tipo Persépolis?