Como alguns economistas ficam maus?

Como alguns economistas ficam maus?

A dúvida não é por quê, mas como: o que acontece com eles para querer reduzir as pensões de viúvas e órfãos ou para pensarem em baixar para R$ 400 o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) de boa parte dos velhinhos sem dinheiro que hoje têm direito a ele?

Este romance é a história de uma economista assim.

teoria capa

Prática, mais do que teoria.

 

 

Os animais fantásticos moram aqui

Ter voz, e saber usar, faz toda a diferença. Ninguém mostra isso melhor do que J.K. Rowling, a autora de Harry Potter.

Rowling, roteirista de Animais fantásticos: os crimes de Grindenwald, produziu a melhor imagem até agora do que é um fascista. Seu Grindenwald é sedutor e fala em “liberdade para nós” e em fazer coisas (às vezes violentas) “por um bem maior”. Com um discurso envolvente, ele consegue atrair para o seu lado alguns dos principais personagens do filme.

O “nós contra eles”, o “eles são os violentos”, o “não odeio os não-mágicos (sempre haverá necessidade de animais de carga)” são o retrato dos movimentos políticos que estão ganhando corpo em vários países hoje em dia. E Rowling não deixa passar.

Ex-funcionária do departamento africano da Anistia Internacional em Londres, ela conheceu muitas vítimas de regimes totalitários e sabe, em detalhe, como os ditadores seduzem e vendem seu peixe (ao mesmo tempo em que são bizarramente violentos com quem se arrisca a discordar).

O filme se passa no começo do século XX. Grindenwald é a versão bruxo de Hitler, falando em “sangues puros” como o outro falava em “raça superior”. Mas não é só isso: seu discurso é também o discurso aristocrático, a ideia de que uma pequena parte da população é superior por direito e o resto, “animais de carga”.

O começo do filme é perfeitamente mediano e sem sal: pontilhado de referências à Escola de Hogwarts e a personagens secundários dos livros de Harry Potter. A parte impressionante, perto do fim, é Grindenwald discursando para uma platéia lotada – onde uma personagem que poderia ter o noivo morto em um regime à Grindenwald se deixa seduzir por seus argumentos.

E, no meio de um discurso fascista cheio de eufemismos, Johnny Depp/Grindenwald, com um bigodinho repulsivo e uma cara pálida como gelo, grita em tom desvairado: “Odeio Paris!”,  quebrando a tensão na única cena que  faz o público rir, por um segundo.

Na sequência, ele tenta destruir Paris e o filme volta às cenas de ação em 3D.

É estranho ver filmes para criança no século XXI.

Mas é bom que eles sejam feitos assim.

Grindewald

Grindenwald – em defesa dos bruxos de bem.