Cadê o TSE?

julho 23, 2018

Abaixo, os altos de página do Globo e Folha, exatamente como estão nos respectivos sites, agora, às 22h de domingo, dia 22 de julho.

A desproporção do espaço dado a Bolsonaro não é de hoje. Os jornais nunca deram um décimo desse espaço para Marina Silva. Nem para Geraldo Alckmin dão todo esse espaço.

Não adianta dizer que é para falar mal. Foi falando mal – e dando um espaço grátis impressionante em suas capas e programas de TV – que a imprensa americana ajudou a eleger Donald Trump.

Não havia uma lei sobre igualdade de espaço para candidatos na imprensa em tempos de eleição?

globo

folha

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A defesa dos herdeiros

julho 18, 2018

– E nós, os bilionários, os herdeiros de grandes empresas? Quem irá nos defender?

– Eu!

– Eu!

– Eu!

Ontem, Marcos Lisboa, ex-secretário de política econômica (governo Lula), ex-diretor da FGV e atual presidente do Insper, se juntou ao coro.

Em um debate na sede do jornal Valor Econômico, Lisboa declarou: “Tributação de dividendos, de herança é vender terreno na lua. O grande impacto de justiça social da política pública não é via tributação é via gasto público”.

Caro doutor Lisboa, uma coisa não exclui a outra. Pesquisadores do nível de Thomas Piketty e Gabriel Zucman já produziram toneladas de estudos empíricos (com ótimas bases de dados) sobre os efeitos da concentração de renda e patrimônio (e sobre como a tributação de heranças e a tributação progressiva de renda é necessária para lidar com o problema). Falar em “terreno na lua” não descarta automaticamente tudo que já foi escrito.

Depois de fazer o lobby dos herdeiros e dos donos e diretores de grandes empresas  (que não pagam imposto sobre dividendos nem sobre bônus anuais), Lisboa atacou quem defende qualquer outro grupo: “O grande desafio hoje é que não se quer comprar brigas com as corporações”, disse, se referindo a funcionários públicos e “seguimentos do setor privado”.

Sobre ajuste fiscal na pauta dos candidatos à presidência, disse: “Estou surpreso com a superficialidade do debate”.

Superficial é fazer críticas genéricas a funcionários públicos ganhando muito mais do que eles para fazer a mesma coisa que um professor universitário faz (só que em uma universidade privada…).

A discussão seria mais simples se o debate fosse feito entre técnicos que não fizessem lobby disfarçado para um grupo específico.

Eu sei: é difícil. Depois de mais de cinco décadas implementando e defendendo abertamente políticas pró-FIESP, Delfim Netto até hoje é apresentado como “economista” e não como “lobista da Fiesp”.

É difícil identificar quem propõe políticas porque têm evidências sólidas de que funcionam e quem apenas foi contratado para dar verniz acadêmico a um lobby bem financiado. Mas quando a pessoa chega ao ponto de dizer que “tributar herança é vender terreno na lua”, aí, pelo menos, dá para ver que é lobby explícito mesmo.

Queria ver debates melhores no Valor. Onde estão os técnicos que não são lobistas? (Desiludidos em pequenas salinhas em universidades e órgãos públicos ou publicando artigos em revistas acadêmicas que o grande público não lê. Estão longe da imprensa – que não consegue ou não quer saber saber quem é quem.)

Vitacura_Santiago