Os heróis da Copa (em tempos de crise econômica, decadência política e desânimo profundo)

junho 12, 2018

Em tempos de Copa do Mundo, vale a pena desencavar o trecho abaixo, um dos meus favoritos, que usei no primeiro post deste blog, mais de 10 anos atrás.

Ele é do Folhas inúteis, um dos livros anos 20 de Aldous Huxley:

“Fazer dos esportistas profissionais  e disputadores de prêmios  heróis efêmeros já é bastante mau; mas querer imortalizar-lhes a fama é certamente indicativo de profunda vulgaridade e degradação. Tal como a turba romana, as turbas de nossas modernas capitais deleitam-se com esportes e exercícios que elas próprias não praticam; mas, de qualquer maneira, a fama dos nossos esportistas dura apenas alguns dias após seus triunfos. Não gravamos suas efígies em mármore para que atravessem centenas de gerações. Gravamo-las em polpa de madeira, que é quase o mesmo que gravá-las na água. É reconfortante pensar que por volta de 2100 todo o nosso jornalismo, a literatura e a filosofia estarão reduzidos a pó.”

DSCN4501

(Mal) gravado em neon.

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