O Brasil está a venda – mas não compre agora: os preços ainda vão cair mais

janeiro 8, 2016

Patrimônio, riqueza, ativos, chame como quiser. Eles estão a venda. Basta andar pelo centro de qualquer grande cidade do país para ver as placas de “vendo” nas lojas fechadas, basta andar nos bairros residenciais e ver as placas nos apartamentos.

Em cidades de veraneio, o surto de “vendo” e “alugo” nos portões das casas é ainda maior.

Ações, cotas de empresas e afins despencaram de preço. O índice de bolsa de São Paulo caiu mais de 13% em 2015. Se descontarmos a inflação, dá mais de 23% de queda. Isso depois de já ter caído em 2014.

Quer dizer: os donos de casas, lojas e participações em empresas estão vendendo o que podem.

E há quem possa comprar. As aplicações em títulos públicos pós-fixados e indexados ao câmbio não perderam valor (esses últimos realmente ganharam). Ao mesmo tempo, para quem é de fora do país, a alta do dólar aqui fez tudo ficar bem mais barato.

Mas, por que as pessoas não vendem seus títulos públicos e compram os apartamentos anunciados? Por que os estrangeiros não vêm aqui atrás de todas essas ações com preços tão mais baixos.

Por vários motivos. O primeiro é que esses ativos (casas, lojas, fábricas) são usados para produzir – e produzir aqui é difícil. O segundo é que deixar o dinheiro em renda fixa (aqui ou no exterior) é muito mais seguro do que comprar ações da Vale ou da Petrobrás. O terceiro é que, em épocas de crise, é bom ter ativos com liquidez, como títulos de dívida do governo, que não são difíceis de vender se você precisar de dinheiro rápido. O quarto é que não há perspectiva de que a crise econômica vá passar tão cedo, então, por muito tempo a oferta de ativos vai crescer mais que a demanda – e seu preço vai continuar em queda.

Sim, se os donos de apartamentos tivessem expectativas racionais (do tipo que o economista Robert Lucas até hoje acha que tem) eles diminuiriam o preço dos imóveis a venda até equilibrar o mercado imobiliário novamente.

Mas isso não vai acontecer. As expectativas se adaptam lentamente às mudanças da economia.

A queda de preços, então, será lenta (e longa).

DSCN2538

Imóveis deteriorados, Cidade baixa, Salvador – sem preço.

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