Pare de produzir (se puder, vá viver de renda)

dezembro 31, 2015

Em um certo momento você faz a conta e descobre que não vale a pena produzir. É simples: é uma conta fácil. Geralmente ela é feita na hora de pagar alguma despesa pouco frequente, como um seguro anual ou a manutenção de uma máquina.

Nessa hora, há dois caminhos possíveis. Você pode insistir – torcendo para os preços do que você compra caírem e os do que você vende subirem – ou você pode mudar de ramo.

No meio de uma crise econômica, dá medo mudar de ramo. Por isso, muita gente está mudando – ao mesmo tempo – de ramo e de país: está indo para um país sem crise.

Insistir é continuar às voltas com a cesta fiscal brasileira (que inclui taxas para associações profissionais inúteis, taxas para a família imperial se você comprar imóveis em Petrópolis, contribuições para o Sistema S que, se são obrigatórias, deviam ter sua contrapartida auditada pelo TCU, extorsões de fiscais corruptos, contadores que acompanham as mudanças semanais nas regras tributárias etc.). Insistir é lidar com fornecedores que não cumprem prazos, com acidentes em estradas esburacadas, com serviços públicos à beira do colapso, com a concorrência desleal de empresas favorecidas por pagarem comissões a alguém e com o desânimo que vem com tudo isso.

É por isso que a economia está parando, porque é difícil produzir – por mais que se queira.

Nunca faltou demanda no país. Pelo contrário: o governo sempre precisou pular em cima da demanda para evitar que a inflação subisse. Agora não é diferente: os juros ficarão altos e será preciso cortar despesas públicas para que a demanda não faça a inflação se perpetuar.

– Mas economia está encolhendo! – gritaria um economista do governo.

Sim, está. Porque os produtores não conseguem mais dar murros em ponta de faca. Produzir é difícil. Se ajustar a todas as obrigações que o governo criou ao longo das décadas é inviável – e concorrer com as empresas amigas a quem ele dá regalias é ainda pior.

É melhor fechar, sair do país, fazer concurso público, se candidatar a uma pós-graduação na Escandinávia (e ficar por lá depois).

Se você for dono de alguma coisa (um depósito, um escritório, ações de estatais em crise), venda e veja se dá para viver de renda. Desmonte a empresa e aplique o resultado do desmonte em renda fixa. O governo paga bem a seus financiadores.

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Xochipilli, deus asteca das flores: esperando sentado pelo fim da crise.

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