A economia, o lobby acadêmico e o fim do mundo

novembro 11, 2015

Algum acadêmico ainda vai produzir uma tese sobre o custo do lobby acadêmico para a economia do país.

Na economia, em especial, o lobby acadêmico é usado há décadas. Seu objetivo é criar, dentro de universidades, justificativas teóricas para a distribuição de benesses públicas a determinados grupos de empresas.

Se há uma justificativa “acadêmica”, então não é crime dar juro abaixo da inflação para montadoras multinacionais lucrativas, não é crime baixar os juros na marra (mesmo que a inflação suba) nem é crime estimular a demanda quando a inflação está beirando dois dígitos.

O primeiro efeito do lobby é justificar esse tipo de política. O segundo é criar uma horda de lobistas involuntários: pessoas que aprenderam na escola que não faz mal estimular a demanda com inflação alta.

Sem as teorias pró-montadoras e pró-BNDES, Dilma Rousseff talvez não tivesse armado a bomba econômica que deixou de presente para si mesma.

Para muitos grupos – depois de décadas usando essas teorias para conseguir empréstimos subsidiados ou barreiras à importação – parece natural usa-las para se descolar da crise econômica.

É por isso, provavelmente, que vemos Lula, Ciro Gomes, Márcio Pochman e outros indo à TV dizer que o governo tem que baixar juros e liberar mais crédito. Eles sabem que isso traria a inflação de vota em poucos meses, sabem que, com o tipo de indexação de contratos que temos no Brasil e com a inflação já beirando os 10%, esse tipo de medida seria o fim do mundo da estabilidade de preços como o conhecemos.

Mas, ainda assim, eles defendem o incentivo ao consumo. Minha tese é que defendem porque sabem que o governo não será insano a ponto de fazer o que propõem e – propondo essas coisas – eles poderão se dissociar da crise sem causar tantos estragos.

Mas a história começa a se complicar quando o coro pela demissão do ministro da Fazenda (que seria trocado por alguém a favor das políticas de Lula) ganha a primeira página do Valor Econômico.

Políticos brasileiros como Sarney, Collor e a própria Dilma já cometeram políticas que, vistas em retrospecto, são claramente delirantes. Com os incentivos políticos certos, nossos representantes em Brasília são capazes de praticamente qualquer coisa.

Lula e afins podem estar – intencionalmente ou não – nos empurrando para uma política econômica à Hugo Chaves – com hiperinflação e estagnação permanente.

Tomara que ninguém os escute e que seu discurso só sirva para – na próxima eleição – eles dizerem que tinham uma fórmula mágica contra a crise mas ninguém a adotou “porque queriam beneficiar os banqueiros”, como disse Ciro Gomes.

Para onde vamos?

Para onde vamos?

PS. No caso de Ciro, ele sabe que os preços livres, os não controlados pelo governo, também subiram acima do teto da meta do Banco Central (6,5%) nos últimos 12 meses, sabe que a inflação não é só o aumento dos preços da gasolina e da energia, sabe que o repasse eterno de aumentos – não contido pela política monetária – leva à aceleração da inflação e à alta generalizada de preços (que empobrece os assalariados). Em suma, ele sabe que, deixada solta, a inflação cresce.

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