Os 7 suspeitos

outubro 3, 2015

A economia sob controle.

E a economia? Sob controle?

A reforma ministerial anunciada ontem pelo governo me lembrou uma velha comédia anos 80 chamada Os 7 suspeitos. No filme, o anfitrião de um jantar de gala é assassinado e todos os convidados são suspeitos. O anfitrião seria um chantagista e a grande pergunta do filme é: qual dos chantageados o matou? Foi o coronel Mostarda, com um candelabro, na sala de jantar? Ou foi simplesmente o mordomo?

Nos filmes policiais, os chantagistas costumam morrer porque vão tirando cada vez mais dos chantageados (que, em algum momento, concluem que é melhor mata-los).

A coisa fica mais difícil quando o chantagista não é uma pessoa, mas um grupo de partidos políticos. O governo não pode matar o PMDB ou outros “aliados” que pedem cargos. Se pudesse, provavelmente mataria, mas essa opção não está no cardápio.

Os partidos que pedem cargos, no entanto, têm os mesmos estímulos dos chantagistas de filme: vão continuar pedindo cada vez mais, até deixar o/a chantageado/a na miséria.

Resumindo: acho que a distribuição de ministérios não é uma solução de longo prazo. Ela pode comprar apoio por algumas semanas mas, logo, novos pedidos de cargos e verbas virão.

Ajudaria se o governo tivesse algum tipo de projeto de médio prazo, algo além de fazer o possível para continuar no poder ou das medidas de curto prazo para conter o crescimento da dívida pública. Se fizesse acordos em torno de propostas, o governo daria mais horizonte para investidores e empresários e garantiria apoio para as essas propostas – em vez de só apoio contra o impeachment.

PS. Amigos baianos me dizem que Jaques Wagner pode ter sido escolhido para a Casa Civil por ter a característica que mais falta à presidente: simpatia pessoal. Nesse caso, escolher um ministro só porque é simpático não seria um erro tão grande – uma vez que há um déficit monstruoso dessa característica na Planalto.

O problema é que a Casa Civil é por onde passam todos os papéis, autorizações, leis e chancelas do poder executivo federal. Em seu curto período como ministro da Defesa, Wagner cochilou e deixou passar a ordem de uma auxiliar que tirava poder dos comandantes militares para fazer coisas básicas, como transferir funcionários. Depois, o ministro teve que desfazer a ordem (que já tinha passado, sem problemas, pela Casa Civil de Aloísio Mercadante).

O caso deixou a impressão de que Wagner não tem muita afinidade com a burocracia típica da Casa Civil. Com sua nomeação, Dilma trocou o “professor aloprado” pelo bonvivant. Vamos ver se funciona.

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