Como Mantega me convenceu a apoiar o impeachment

setembro 11, 2015

Uma das boas partes da longa entrevista do ex-presidente Ernesto Geisel ao Centro de Documentação da FGV é a descrição do processo que o levou à presidência da República. Em um caso atípico de ditadura com alternância no poder, é curioso ver os critérios dos generais para escolher seu futuro chefe.

O lobby para indicar Geisel foi feito por seu irmão, o então ministro do Exército Orlando Geisel. Mas o lobby sozinho não garantiria a presidência. Para ter o apoio das Forças Armadas, era importante que Geisel não demonstrasse apego demais ao poder. Gente com muito gosto pelo poder não deve ter poder demais. Militares – que passam a vida sob uma hierarquia rigorosa – entendem isso perfeitamente. Era importante então que Geisel não se mostrasse ansioso nem manobrasse ostensivamente para ocupar a presidência. Isso -curiosamente – diminuiria o apoio a ele entre os generais.

O governo Dilma sempre lembra um pouco o do general-presidente, seja pelo intervencionismo excessivo, seja pela má política econômica. Mas lembrei da história acima por conta de uma notícia que ajuda a ver a diferença entre os dilmistas e o velho general-presidente. Para os dilmistas, ostentar poder é motivo de orgulho.

Foi assim que hoje, involuntariamente, o ex-ministro da Fazenda e “amigo da rainha” Guido Mantega me convenceu a apoiar o impeachment de Dilma.

Como ele fez isso? Mantega obrigou dois empresários paulistas a se retratarem, a redigirem pedidos formais de desculpas por terem o ofendido em público. Para não gastar fortunas com processos na Justiça, os empresários enviaram o pedido – exigido judicialmente pelo ex-ministro.

O processo contra os dois, por calúnia, injúria e difamação, foi movido porque, há alguns meses, eles xingaram – em um restaurante de luxo em São Paulo – o ex-ministro de ladrão, palhaço e sem vergonha.

A demonstração de força da exigência judicial de desculpas combina com os gritos com que a ex-chefe de Mantega é conhecida por tratar quem trabalha com ela.

Gente que gosta demais de poder não deveria ter muito.

Mas isso é uma racionalização. Na verdade, Mantega me convenceu a defender o impeachment porque acho intolerável que – depois do estrago que fez na economia do país – ele ainda tenha qualquer tipo de poder, principalmente o de “amigo do rei” – que é, possivelmente, o segundo posto na hierarquia federal brasileira desde os tempos do império.

Se não podemos xingar Mantega em público, podemos, pelo menos, promover o impeachment de sua chefe?

A mistura de gestão temerária e arrogância que os dois personificam me faz querer ver o governo cair, mesmo que seja para outro grupo de políticos mal intencionados e sedentos por poder assumir no lugar.

O fim está longe? Quanto tempo falta para a crise passar?

O fim está longe? Quanto tempo falta para a crise passar?

Anúncios

Uma resposta to “Como Mantega me convenceu a apoiar o impeachment”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: