Rumo à renda zero

setembro 5, 2015

Alguns economistas têm lembrado da ideia de regressão à média para projetar que o país pode voltar a crescer em 2017. A ideia é simples: depois de piorar muito, a economia pode ter mais espaço para melhorar do que para continuar piorando.

Teríamos crescimento em 2017 por ter como comparação um 2016 já muito ruim.

Mas, além de simplificar demais, isso é deixar de lado o problema que nos levou à crise atual.

O governo Dilma tem um histórico de contrariar princípios básicos de economia em nome de pequenos ganhos de curto prazo. Ele fez isso rotineiramente nos últimos quatro anos e é perfeitamente capaz de continuar fazendo (principalmente em datas próximas a eleições).

É pouco provável que 2016 seja o fundo do poço. Com incentivos ruins no longo prazo, o fundo do poço não existe. Para cair do Império romano para a Idade média, basta insistir nos erros certos por um período de tempo suficientemente longo.

Em 1776, Adam Smith descreveu como – dado um determinado conjunto de regras – podíamos contar com o egoísmo do próximo para aumentar a renda da nação.

O problema (um dos problemas) é que estão jogando fora esse conjunto de regras.

Os incentivos hoje são para ser amigo do rei, para pedir juros com taxas especiais no Banco do Brasil, não para produzir.

Produzir, na prática, é muito arriscado. Sabemos que as trajetórias da dívida pública e do sistema político não são sustentáveis e que – de uma hora para outra – pode haver algum tipo de mudança nas regras do jogo.

É melhor esperar para ver.

Os incentivos estão distorcidos e o governo não parece muito disposto a lidar com isso – prefere continuar negociando benesses no varejo. Seu histórico indica que pode nem ser capaz de entender o que está acontecendo.

A crise promete ser longa.

Ruínas à frente.

Ruínas à frente.

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