Não reeleja (mais) ninguém

outubro 7, 2014

É  desalentador ver Geraldo Alckmin reeleito no primeiro turno em São Paulo, ver Renan Calheiros Filho eleito em Alagoas (manutenção de clã no poder também é uma espécie de reeleição) e ver Fernando Collor reeleito senador.

Mas ainda há tempo para lembrar da época de revolta (ano passado), para parar de reeleger os políticos que mandaram a tropa de choque espancar manifestantes. No Rio de Janeiro, você ainda pode não reeleger o governador Pezão (que mandou a tropa atrás dos professores em greve) e  pode não reeleger Dilma (que só teve 23% dos votos de Brasília, de quem vê de perto o que ela faz).

Eu sei: Crivella e Aécio Neves não são exatamente candidatos ideais – e não são dignos do voto do mais moderado adepto de passeatas.

São dois conservadores. Mas Dilma e Pezão também são. E conservar conservadores é simplesmente além do limite. Não posso premiar a presidente que mandou o Exército e a Força Nacional de Segurança para espancar manifestantes na Copa. Não posso premiar o governador que quer empurrar um teleférico para a Rocinha (em vez do saneamento básico que todos concordam que é o necessário).

Troco dois conservadores por outros dois – que, pelo menos, vão demorar um pouco para montar novos esquemas, para poder nomear amigos para o Tribunal de Contas e para se sentir a vontade para atropelar garantias individuais básicas. Troco porque ficar muito tempo na cadeira corrompe, poque é preciso trocar os governantes de tempos em tempos.

Nunca achei que seria capaz de votar num bispo da Igreja Universal para governador, ou em um latifundiário que persegue os repórteres que ousam escrever sobre sua vida privada. Mas – fazer o quê? – votar em alguém cujo slogan é “para continuar a mudança” é simplesmente hipocrisia demais para mim.

Ânimo eleitoral: trocar é o menos pior.

Ânimo eleitoral: trocar é o menos pior.

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2 Respostas to “Não reeleja (mais) ninguém”

  1. Paulo Andrade said

    Meu apoio continua sendo do Pezão. Crivella fala muito que não precisa de muitos partidos para se manter forte, mas se tratando de política isso não faz sentido. Em termos de governabilidade é normal e melhor ter partidos o apoiando, pois isso quer dizer que ele terá mais ajuda para que sejam realizadas mudanças positivas e relevantes para o estado.

  2. rmoraes said

    É bom ter apoio quando há algum objetivo comum. Mas a grande aliança que apoia Pesão não tem exatamente um programa comum. Eles têm uma lista de obras, de empreiteiras para executar essas obras e de concessões de serviços públicos em um formato novo.

    Isso vale um parágrafo à parte. Sou a favor de privatizações. Acho bom ver empresas investindo para melhorar estradas ou ferrovias se o governo não tiver como pagar por isso. Mas as concessões no Rio de Janeiro (do metrô, do Maracanã, do Museu de Arte do Rio e até os contratos das UPAS) são feitas sem investimento: o governo constrói, compra trens, equipamentos e máquinas e um concessionário administra (e recebe para isso).

    O apoio a Pezão vem das muitas concessões e contratações de empreiteiras que ele já fez – e que ainda pode fazer.

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