A Anistia Internacional começou uma campanha contra a repressão violenta a protestos políticos no Brasil. O cartaz abaixo já saiu em anúncios de página inteira em jornais. Quem concorda com ele pode assinar uma petição online contra a repressão violenta a protestos (até agora, mais de 62 mil pessoas assinaram).

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Na outra ponta da análise sobre o que são os direitos humanos, o jornal Extra, do grupo Globo, publicou hoje a manchete e as fotos abaixo em sua capa.

A matéria não diz que protesto os policiais iam reprimir (era o dos professores de escolas públicas), mas reclama da falta de mais recursos (além da roupa de Robocop, armas de choque elétrico, bombas de gás e sprey de pimenta) para a polícia “reprimir o protesto”.

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Quem encerra a discussão é o jornal popular Meia hora – que leva para sua capa a declaração do jogador Ronaldo Fenômeno sobre como os protestos devem ser tratados pelo governo (“é para baixar o cacete”) e analisa como essa reação ultra-conservadora se relaciona com o histórico do jogador.

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O mundo não para durante a Copa. Políticos continuam desviando verba, acidentes de trem continuam matando gente na Índia e a inflação continua subindo. Mas boa parte disso é posta de lado (ou espremida em um bloquinho do telejornal) para dar lugar a longas matérias sobre o quarto do hotel onde ficará o time X, ou a cidade sede que receberá a seleção Y.

Se, na economia, os tempos atuais lembram os do general Geisel, no noticiário, começam a ficar parecidos com os de Médici.

Pode ser amostra pequena, mas minha impressão – andando pelas ruas e conversando com amigos – é que as pessoas estão muito menos dispostas a ver detalhes sobre os detalhes da Copa, estão muito menos animadas a decorar avenidas e vielas do que a TV dá a entender.

Perto de casa, o único canto com bandeiras e bandeirinhas nos postes foi decorado pelos camelôs – que vendem bandeiras e bandeirinhas bem embaixo da decoração.

Minha impressão é de que a imprensa não está indo atrás “do gosto do público”, como seria razoável que fizesse. Ela está empurrando um produto – e deixando de lado o serviço de informar, tão precioso em épocas pré-eleitorais.

Arthur Rimbaud e Paul Verlaine (canto esquerdo) discutem a atuação do time da França.

Paul Verlaine e Arthur Rimbaud  (canto esquerdo) discutem a atuação do time da França.

 

Paul Verlaine

Neste vídeo, a polícia de São Paulo mostra como o povo da cidade será tratado durante a Copa: como gado.

A preocupação em proteger melhor os cavalos – eles vão usar a cavalaria contra os manifestantes quando houver protestos – lembra o presidente Figueiredo que, declaradamente, preferia os cavalos às pessoas.

As espadas desembanhadas durante o treinamento dos cavalos também são de má memória.

Alckmin compete fortemente com Dilma pelo posto de governante mais autoritário do país. Desse jeito, é capaz de perder até para um ex-ministro envolvido com um laboratório de fachada que lavava dinheiro e importava champanhe para os amigos.

Se o segundo turno de São Paulo for entre o corrupto e o homem que manda a cavalaria com espada em punho, que venha o corrupto.

Missa para o estudante Edson Luis, Canderária, 1968. Foto do mestre Evandro Teixeira.

Missa para o estudante Edson Luis, Candelária, 1968. Foto do mestre Evandro Teixeira.

Pronunciamento da presidente da República no Dia do Trabalho do Ano da Eleição, em versão sincera:

“Investidores e investidoras, empresários e empresárias: é hora de sair, é hora de ir embora. Venho aqui hoje dizer que eu, meu partido e minha máquina administrativa faremos tudo o que for preciso, faremos o diabo para ganhar a próxima eleição. Por isso, hoje, assinei um aumento de 10% para o Bolsa Família.

“Vim fazer também declarações genéricas sobre manter a economia estável, mas vou jogar no lixo o orçamento do governo, vou estimular a demanda e deixar a inflação subir. No longo prazo, isso será muito destrutivo. Mas, nos próximos meses, isso pode causar uma pequena sensação de bem estar (logo engolida pela inflação). Quer dizer: por um punhado de votos, vou jogar no ralo qualquer coisa que se assemelhe a uma política econômica consistente.

“Vou criar cortinas de fumaça para desviar o noticiário: falarei muito em reforma política e xingarei a oposição sempre que ela tentar mostrar como destruo instituições para me manter no poder.

“Repetirei declarações toscas do ministro da Fazenda – como a de que a inflação é pontual (são uns legumes que subiram de preço por causa de seca) – quando qualquer um que veja os dados produto a produto pode ver que ela é generalizada, que quase tudo está subindo de preço.

“Vou continuar sucateando a Petrobrás, forçando-a a vender combustível mais barato do que compra e, ao mesmo tempo, farei pose de defensora das estatais.

“Investidores e investidoras: vendam suas ações, vendam seus títulos. Com a crise que vou provocar, eles vão cair de preço já na próxima sexta-feira.

“Empresários e empresárias, fechem suas empresas: estamos em tempos difíceis e o orçamento do governo mal vai cobrir as obras que já contratamos com a Odebrecht e as isenções que meu ministro quer dar de novo para montadoras de carros.

“É hora de ir embora. Comprem dólares porque, por mais dezenas de bilhões em contratos de câmbio que o Banco Central venda todo mês, alguma hora eles não vão aguentar e o câmbio vai flutuar de novo. Comprem dólares enquanto seus reais ainda valem alguma coisa.

“Bom, era isso. Bom Dia do Trabalho, votem em mim, não me processem por fazer propaganda eleitoral antecipada (ou por usar a máquina administrativa). E comemorem as merrequinhas que eu – com minha poderosa caneta – autorizei hoje para vocês.

“Lembrem-se: EU dei 10% de aumento e vocês me devem a reeleição.

“Viva o Brasil. Viva e reeleição.”

Economia brasileira.

Economia brasileira.