Dilma, Alckmin e a alternância no poder

fevereiro 13, 2014

Uma democracia é um regime em que é possível mudar o grupo no poder sem revoluções ou golpes de estado. Países em que o mesmo partido fica décadas no poder não devem ser chamados de democracia.

Quando não há alternância, isso não quer dizer que o governo é bom, quer dizer que o sistema degenerou. Quando não há alternância, é porque os gastos do governo com propaganda cresceram, porque os acordos com caciques locais foram reforçados com dinheiro público, porque as nomeações políticas foram ampliadas e toda (ou boa parte da) máquina pública trabalha para manter o governante no poder.

Nesses casos, a quantidade de políticos em funções técnicas aumenta – e esse é um dos piores efeitos do vale-tudo-para-ficar-no-palácio. Em geral, quanto maior a distância até o político mais próximo, melhor um órgão público funciona. Ou, visto pelo outro lado: quanto maior a ingerência política sobre um órgão técnico, pior a alocação de recursos, pior a qualidade das decisões e maior a revolta e o desânimo dos seus funcionários.

O uso da administração pública pelo governo (pelo grupo que está no poder) para ficar no poder piora a qualidade dos serviços públicos. E isso não tem cor partidária. As pessoas estão tão cansadas de Geraldo Alckmin quanto de Dilma Rousseff. Os dois deviam ser mandados para casa na próxima eleição.

Dilma é um caso clássico de político se impondo aos técnicos (aos gritos). O setor de energia – que ela comanda, em um cargo ou outro, há mais de 11 anos – é um dos que mais sofreu intervenções políticas na era PT. O resultado? Queda na produção de petróleo, importação de combustível acima do preço de venda da Petrobrás e mudança de regras no setor elétrico (e no de petróleo), com risco crescente de falta de energia.

Alckmin, que começou como herdeiro auto-declarado de Mário Covas, hoje lembra mais um Fleury FIlho (que defendia a atuação da polícia no massacre do Carandiru). Ver Alckmin na TV é esperar por um convicto “eu prendo e arrebento” à João Batista – e isso não tem como ser bom.

Ficar tempo demais no poder é ruim para o próprio governante. O poder corrompe das formas mais estranhas.

Sem alternância no poder não há democracia. Que venha logo a alternância, então.

Versailles, o palácio favorito de Sérgio Cabral.

Versailles, o palácio favorito de Sérgio Cabral.

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