O recado foi entendido (acho)

janeiro 5, 2014

Há novos autores. Tempos instáveis são bons para a literatura.

Quanto maior o caos, melhor para os romancistas assustados.

Esta semana, li Digam a Satã que o recado foi entendido, de Daniel Pellizzari. O livro é da leva de romances em cidades estranhas – que a Cia. das Letras editou depois de deportar (temporariamente) um grupo de novos autores brasileiros – cada um para uma cidade. Pellizzari foi pra Dublin e, entre pubs e irlandeses desorientados (e também poloneses e uma eslovena), faz uma mistura meio ácida de humor e ceticismo. Sobra até para Chicomecoatl, a (vingativa) deusa asteca do milho.

Depois de uma apresentação categórica sobre como a evolução foi cruel com as mulheres russas – e dos delírios de um líder de seita neo-celta pró-ofídios que quer salvar o mundo do apocalipse – acho que entendi o recado.

Mas a melhor cena do livro é um dialogo entre dois estudantes da universidade local (um brasileiro e um belga) sobre livre arbítrio. A discussão é em voz baixa: acontece à noite, enquanto os dois – quase contra a vontade – tentam roubar múmias de um museu irlandês.

Sim, o recado foi entendido.

Na terra de Yates, com uma eslava explosiva.

Na terra de Yates, com uma eslava explosiva.

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