Gil faz homenagem a Armando Falcão

novembro 11, 2013

Conhecido como o ministro do “Nada declarar”, Armando Falcão, ministro da Justiça de Ernesto Geisel, foi homenageado ontem na TV pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil.

Gil adotou a política de Falcão e ficou mudo diante do microfone por longos minutos, olhando para o repórter (do Pânico) que perguntava sua opinião sobre biografias não autorizadas.

– Mas o público quer saber sua opinião, Gil. Você foi ministro da Cultura, defendeu a liberdade de expressão na época da ditadura. Só a Paula Lavigne fala sobre isso? O que você acha de Roberto Carlos, que saiu do grupo Procure Saber por achar que não se pode censurar biografias?

O repórter cercou Gil no desembarque do aeroporto. O ex-ministro olhou para a câmera várias vezes, tirou fotos com uma fã, ficou mudo diante do microfone de novo, mas não disse nada.

Quer dizer: disse. Se não falou nada é porque defende a censura prévia a biografias de pessoas públicas – mas se envergonha de dizer isso na frente de uma câmera.

Teria sido mais divertido se quem estivesse no desembarque do Aeroporto Tom Jobim fosse Caetano Veloso – o homem que fala sobre tudo (sem necessariamente dizer muita coisa).

Mas, se não servir para mais nada, essa discussão serve para mostrar como nasce um conservador. Gil, Caetano, Chico Buarque e outros cantores que faziam músicas de protesto 30 anos atrás, hoje são bem sucedidos administradores de imagem, donos de um grande patrimônio e – como qualquer grande proprietário – avessos a qualquer risco de mudança em seus domínios.

Nem o velho “fale mal mas fale de mim” os faz pensar em defender de novo a liberdade de expressão.

O medo do risco é o que define um conservador. E, pelo jeito, mesmo alguém com a vida ganha, ouvido e respeitado nos quatro cantos do mundo, admirado sem contestação em todo o país, pode ter medo do risco.

Minha reação, olhando para a TV, foi pensar: “Até tu Gil?”

Sim, até ele. E se Gilberto Gil não está a salvo de virar um reacionário, quem está?

Voltaire sem peruca - e sem medo de mostrar a careca.

Voltaire sem peruca – e sem medo de mostrar a careca.

PS. Estou muito curioso para saber o que Gil, Caetano, Chico e companhia não querem ver publicado. Biógrafos, jornalistas, historiadores, por favor, corram atrás. 

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