A caminho da ditadura escancarada

outubro 17, 2013

A grande preocupação dos governos (federal, estadual e municipal) hoje é a fachada. Vivemos sob um governo de aparências: se não sai na TV, não aconteceu.

É por isso que a nova lei municipal do Rio de Janeiro para a educação premia a “produtividade” dos professores. A produtividade é medida pelo número de aprovações. Assim, paga-se mais aos professores se aprovarem alunos ruins. O resultado: a melhora nos índices de aprovação nas escolas municipais.

No Estado, a polícia tentou, por três meses, esconder que torturou e matou um auxiliar de pedreiro que não queria dar informações na Unidade Pacificadora da Rocinha. Só depois de três meses de pressão, saiu na TV o que antes se falava em voz baixa.

Sem a pressão, o caso teria sido esquecido, quer dizer, não sairia na TV e não afetaria a “imagem” do governo. Os outros (muitos) casos similares, não aconteceram, não estão na TV.

No Governo Federal, os dados do Tesouro Nacional incluem uma coletânea de operações esdrúxulas de compras, vendas e empréstimos que disfarçam – mal – o descasamento entre receita e despesa, quer dizer, o aumento do déficit nas contas públicas. Além de ignorar a violência e o desrespeito aos direitos humanos no Rio de Janeiro, o governo Dilma, finge que não vê uma das principais causas dos protestos: a alta, persistente, dos preços no país.

Dilma levou para o IPEA, e depois para o cargo de ministro da Secretaria de Assuntos Especiais, um conhecido marqueteiro, o professor Marcelo Neri. Há quase 20 anos, Neri repete que estamos no melhor dos mundos possíveis, que o Brasil melhora sem parar, que nada pode dar errado. Neri é um especialista em pintar a fachada de rosa. Não à toa virou ministro tão rápido.

Mas se fosse só isso, tudo bem. O problema é que por trás da fachada, a situação está degenerando mais rápido do que esperávamos. O governo – em parte acreditando na própria propaganda – não dá sinais de se preocupar com o descontentamento da população. E, ao mesmo tempo, aprova as leis que estão sendo usadas para mandar para o presídio de Bangu perigosos manifestantes acusados de formar quadrilhas para cometer o horrendo crime de ocupar praças.

Hoje, o jornal O Globo publica as fotos de alguns desses perigosos ocupadores de praças. Ele as estampa na capa como se fossem de terroristas, do tipo que mata gente ou sequestra embaixador. As fotos, na capa do jornal, estão sob o “vândalos” da manchete.

Sim: lei de exceção, mais de 1.500 policiais para reprimir um protesto e um jornal oficial para aplaudir. Tudo isso enquanto o governo jura que está tudo bem: “pra frente Brasil!”.  Parece familiar?

Um fotógrafo que cobria o protesto de terça-feira foi preso e autuado por incêndio criminoso, roubo, depredação do patrimônio público e formação de quadrilha. Ele é um dos 70 “vândalos” cujo envio a Bangu O Globo comemora em sua capa.

Não dá  para fingir que não está acontecendo nada.

Cabral. A volta do "prendo e arrebento"?

Cabral. A volta do “prendo e arrebento”?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: