Pequena aula sobre como encarar a polícia

outubro 3, 2013

Imagem resumo do protesto dos professores municipais, ontem, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro. A repressão policial foi violenta (a Globo só mostrou pessoas quebrando vidraças) mas deu para ver que nem todo mundo se intimida com as balas de borracha e com o efetivo exagerado da polícia nas passeatas.

Fábio Motta, Agência Estado, 01/10/2013.

PS. A foto é também uma aula de jornalismo: ela não foi tirada nem do ponto de vista dos manifestantes nem do da polícia. O fotógrafo estava no espaço entre os dois grupos, assim como a professora que deu a bronca nos policiais.

PS2. Foi estranho – embora não surpreendente – ver no Jornal Nacional a proposta apresentada pelo prefeito Eduardo Paes – e aprovada pelos vereadores em seção fechada (com a polícia explodindo bombas na porta) – para o plano de carreira dos professores. Apresentada pela Globo, a proposta parece boa. Só esqueceram de dizer que ela vale para menos de 10% dos professores do município.

PS3. Com um salário de R$ 1.224 para trabalhar 22h (poucos trabalham 40h e ganham R$ 4.000 como alardeou a secretária municipal de educação, Cláudia Costin), sem grandes perspectivas de melhora e ainda apanhando da polícia, quem ainda vai querer dar aula para alunos de primeiro grau? Afinal, comissões incluídas, o salário de um vendedor de roupas é melhor.

PS4. A Globo também lembrou – em algum dos seus jornais – que os professores são contra a “avaliação por desempenho”, proposta pela dupla Paes/Costin. Faltou explicar como o desempenho dos professores é avaliado. O número de alunos aprovados é um dos critérios. A aprovação automática, dos tempos de Garotinho no Governo do Estado, era, pelo menos, mais explícita.

PS5. Já me disseram que a imagem aí em cima não resume o que o batalhão de choque fez nem a quantidade de bombas de gás que a polícia jogou do alto dos prédios sobre os professores. Mas, de qualquer jeito, fiquei feliz em ler os posts de professores descrevendo como o Black Block chutou de volta as bombas de gás da polícia e ofereceu água e ajuda aos atingidos pelo gás lacrimogênio. O bloco parece, cada vez mais, um grupo disposto a defender os manifestantes da truculência policial. As agressões físicas, registradas nas passeatas, são sempre cometidas pela polícia – que recebe a famigerada ordem para “dispersar” e a executa com entusiasmo. Sem o Black Block para defender os manifestantes, o número de vítimas sérias do gás e de pancadas de cassetete seria, certamente, maior.

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Uma resposta to “Pequena aula sobre como encarar a polícia”

  1. rmoraes said

    Matéria de O Dia, publicada hoje (4/10) sobre a foto acima e sobre o que a professora disse aos 18 PMs.

    http://odia.ig.com.br/noticia/educacao/2013-10-04/dia-de-fama-para-professora.html

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