40 anos esta noite

setembro 11, 2013

Saí do Rio logo depois do 7 de setembro, na madrugada do dia 8. A polícia já tinha parado de prender manifestantes nas ruas quando fui para o aeroporto. Quatro dias no Chile. Saí de lá hoje, 11 de setembro, aniversário de 40 anos do golpe de estado chileno.

Ontem à noite, a TV chilena mostrava os protestos locais – com estudantes bloqueando avenidas com galhos acessos.

O fogo era logo apagado por jatos d´água de um caminhão pipa carabinero (a polícia militar de lá).

Na TV, o locutor se referia aos manifestantes como “los anti-sociales”, reparava que  eram jovens – “menores de edad” – e não usavam máscaras.

Os estudantes, poucos onde as câmeras estavam, tratavam de desaparecer rapidamente antes que os carabineros chegassem. Eles parecem ter mais prática em lidar com repressão que os daqui.

Pulei para os canais vizinhos (eles têm até Al Jaseera na TV a cabo chilena). No canal alemão, um biógrafo de Pinochet debatia, em espanhol, com um apresentador e mais dois convidados.

“A estrutura de muitas coisas no Chile, do sistema financeiro ao sistema de educação, é pinochetista, até hoje. É difícil mudar isso. Ainda há muita resistência”, disse. Mas sua melhor tirada só poderia ser feita por um alemão de cabelo branco, como ele:

“Faz quarenta anos hoje. Agora as pessoas estão começando a discutir, a recuperar a memória. Quando acaba a ditadura há um bloqueio: as pessoas não querem falar sobre ela. Na Alemanha foi igual. Quanto tempo demoramos para começar a falar sobre o período nazista? Foi mais ou menos 40 anos.”

Ouço isso e não posso deixar de pensar que o golpe brasileiro é mais antigo que o chileno: tem quase 50 anos. Já deveríamos ter entendido bem o que ele foi. Não deveria ser possível que a geração que cresceu sob o golpe tolerasse que estudantes fossem espancados nas ruas no Rio de Janeiro, que levassem tiros de borracha e choques de teaser, que fossem perseguidos pela polícia após a dispersão das passeatas.

E a desculpa nem é “evitar o comunismo”, como era nos anos 60: é liberar o trânsito ou evitar que “baderneiros” reclamem do governador.

Tempos estranhos, sem dúvida.

La Moneda: bombardeado em 1973.

La Moneda: bombardeado em 1973.

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