A seleção adversa do gasto público

agosto 28, 2013

O governo diz ter dificuldade para entender a insatisfação popular que leva milhares de pessoas as ruas até hoje. Mas a explicação é simples e está nos livros de economia lidos por estudantes do segundo período em todo o país. O problema é uma mistura de seleção adversa e restrição orçamentária.

A restrição orçamentária é uma velha conhecida de todos. O dinheiro nunca dá para tudo: é preciso escolher o que fazer e o que deixar de lado.

Já a seleção adversa tem a ver com os incentivos criados para selecionar. O exemplo clássico é o da venda de carros usados. A falta de informação sobre a qualidade do carro leva o comprador a querer pagar pouco por ele. O baixo preço oferecido pelos compradores leva apenas os donos de carros com problemas a querer vendê-los.

Com as despesas públicas é parecido. A falta de punição aos casos de corrupção leva os políticos a empurrar propostas de obras e compras inúteis (e superfaturadas) para o orçamento. O excesso de propostas leva o governo a ter que escolher. Entre despesas boas – mas sem propina – e obras inúteis (mas que rendem apoio político) ele escolhe as inúteis suerfaturadas.

A população fica insatisfeita com o que recebe, mas não falta recurso de empreiteiras amigas para a campanha eleitoral.

Repressão a protesto contra o governador Sergio Cabral, Rio de Janeiro, 27/08/2013.

Repressão a protesto contra o governador Sergio Cabral, Rio de Janeiro, 27/08/2013.

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