Por que alguns jornalistas odeiam a mídia ninja

agosto 10, 2013

GárgulaFalar mal da Globo todo mundo sempre falou. Entre os editores executivos da emissora, há um que passou toda a faculdade fazendo discursos contra ela (eu estava lá, eu vi).

Mas só podia falar mal com convicção quem tinha visto de perto uma notícia distorcida ou, no máximo, quem tinha lido “pesquisas” de intenção de voto que acabaram muito longe dos resultados eleitorais. Mesmo nesses casos, sempre aparecia um colunista de jornal com uma explicação perfeitamente razoável para a diferença entre os números publicados e a votação.

Esta semana, um colunista da Veja e uma editora do Globo se esforçaram ao máximo para atacar a última novidade na cobertura de protestos: a mídia Ninja. Na Veja, um colunista supostamente liberal mostrou que é, isso sim, um conservador. No Globo, foi Cora Rónai – uma quase-sócia do jornal – quem atacou os ninjas.

Mas por que eles se incomodam? Por que pessoas que falam em nome de grandes empresas de jornalismo se preocupam em atacar os ninjas?

Não é por se sentirem ameaçadas. Longe disso. Elas estão seguras, com bons salários – que vêm de grandes bolos de publicidade oficial em empresas que estão longe de falir. Não é por medo.

Então por quê?

Pela desmoralização.

A novidade dos ninjas foi mostrar, ao vivo e sem cortes, o que acontece durante os protestos: mostrar a violência policial, os choques com arma amarela, a maneira como a policia “dispersa” as pessoas, as falsas acusações contra manifestantes, enfim, mostrar o que TV aberta (e a cabo) e os jornais de cobertura nacional não mostram.

Quem vê os vídeos dos ninjas pode – como quem estava no meio da passeata – dizer que a imprensa cobriu mal, que não mostrou a repressão policial, que foi viesada ao mostrar 20 pessoas quebrando vidraças em vez de 500 mil protestando pacificamente (e, depois fugindo, desesperadamente, de tiros e bombas disparados por funcionários públicos).

Enfim, os ninjas deram material para o publico ver como o jornal tradicional é tendencioso no Brasil (como vovó já dizia, mas agora com muitas provas).

Foi isso que irritou os jornalões. É por isso que se esforçam para atacar os independentes e põem em campo sua tropa de repórteres para procurar o cantor que se sentiu enganado em um show (entre centenas) promovido pelo grupo Fora do Eixo – que apóia os ninjas. É por isso que tentam associa-los a grupos políticos, por isso que tentam, de qualquer jeito, desmoraliza-los.

Mas vídeo ao vivo e sem cortes – de vários ângulos, de várias câmeras – sempre vai ser mais confiável que notinha de colunista de jornal.

Isso é meio óbvio, eu sei. Mas não custa repetir.

Recomendada pelo oriente e pelos humoristas nacionais: Muita calma nessa hora.

Recomendada pelo oriente e pelos humoristas nacionais: muita calma nessa hora.

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