Preconceitos sobre os peregrinos

julho 24, 2013

Pela quantidade de policiais nas ruas, o governo esperava que a cidade fosse tomada por uma horda de torcedores de futebol irritados, ou de “vândalos”, como os repórteres da Globo gostam de dizer. Mas os peregrinos que vieram ver o papa são um modelo de educação e civilidade.

Não há como não passar por eles: são onipresentes no Rio. No metrô, então, há quase um a cada dois metros quadrados. Eles se atordoam com a publicidade colorida que cobre a cor original das catracas (há uma cor de roleta para cada tipo de passagem) mas acabam descobrindo como passar.

Diferentemente do que a prefeitura parece ter imaginado, eles não trouxeram asas ou outro equipamento para voar pela cidade. O transporte, então, é um problema. O metrô e os ônibus já não davam conta do fluxo normal de moradores nos dias normais. Com um milhão e meio de pessoas a mais, as coisas ficaram bem confusas. Mais confusas ainda se lembrarmos que os milhares de policiais nas ruas não estão lá para dar informações – eles não tinham nada a dizer durante o colapso do metrô na tarde de ontem. Eles estão lá para… Bom não está claro para que os policiais estão lá.

O ajuste dos preconceitos oficiais à realidade dos religiosos tem sido muito lento, o que produz cenas realmente surreais. Hoje, por exemplo, os auto-falantes do metrô anunciavam que, às 16h30, a estação São Francisco Xavier seria fechada devido à grande quantidade de peregrinos na região.

Eu sei, é um processo lento de aprendizado. Mas, cedo ou tarde, a administração do metrô e do município vai aprender que, quando muitas pessoas querem ir para um lugar (e especialmente quando não sabem direito como chegar lá) o papel delas é ajudar – e não impedir ou sabotar o acesso.

Acostumados a bater em quem reclama, a fechar o metrô em áreas de passeata e a infernizar a vida dos caricas, Eduardo Paes e seu mentor, Sergio Cabral, estão agora torturando os peregrinos. “Peregrinação é isso”, deve estar pensado o prefeito.

Mais um preconceito que – ao lado do dos missionários vândalos voadores –  precisa ser deixado de lado.

O papa – em sua passagem pela Tijuca, daqui a pouco – podia criticar a maneira como a prefeitura local trata seus fiéis. Talvez a crítica papal faça o prefeito ver a luz (ou, pelo menos, fazer o dever de casa com medo da publicidade negativa).

Peregrina estóica tenta ignorar os tormentos  provocados pelo  prefeito do Rio de Janeiro.

Peregrina estóica tenta ignorar os tormentos provocados pelo prefeito do Rio de Janeiro.

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