Casa de tolerância

julho 15, 2013

A tolerância é um virtude – e uma das maiores. Voltaire escreveu um tratado sobre ela. O Iluminismo não existiria sem ela. Enfim, em alguma coisa os brasileiros tinham que se destacar: para o bem e para o mal, somos o povo mais tolerante do mundo.

Não seria difícil fazer a campanha publicitária: em vez de “ninguém segura esse país” ou “país rico é país sem miséria”, “Brasil, o país mais tolerante do mundo”. Nós toleramos hospitais com poucos leitos, escolas sem professor, corrupção escancarada, enfim…

Mas o que não dá para tolerar (é um problema de lógica) é levar choque de arma-mais-ou-menos-letal por protestar contra o governo. Aí a contradição é muito grande. Afinal, não é o país dos tolerantes? Não é onde até roubar pode que tudo bem? Então tem que poder protestar.

Quando a tropa de choque vai para rua jogar spray de pimenta e bomba de gás em quem reclama do governo, joga no lixo a boa e velha tolerância, que – de novo, para o bem e para o mal – mantém o país sem grandes reviravoltas. Mas, se não pode protestar, então também não vamos tolerar o resto. E aí a coisa vai ficar ruim para o governo (que sempre contou tanto com a tolerância da população).

Autoritarismo, Museu de Belas Artes de Santiago do Chile.

Autoritarismo, Museu de Belas Artes de Santiago do Chile.

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