Protesto vazio – mas com muita repressão da polícia

julho 11, 2013

Até ontem, as passeatas contra o governo não tinham nada a ver com sindicatos ou com centrais sindicais. E, na prática, continuam não tendo. Afinal, os protestos de hoje – organizados por CUT, Força Sindical e afins – não são contra o governo.

Os cartazes colados nos tapumes dos bancos no Centro do Rio deixavam claro: o protesto de hoje é contra privatizações, contra a concessão de áreas de exploração de petróleo, pela reforma agrária, enfim, pouco a ver com o “Fora Cabral” e com a melhora dos serviços públicos.

OS sindicatos também pedem mais dinheiro para saúde e para a educação – mas dinheiro todo mundo pede.

Podem ser dois os resultados dos protestos de hoje:

No cenário 1, CUT e Força sindical deixam de parecer tão inexpressivas como vinham sendo desde a chegada do PT ao poder, pegam carona nas manifestações e esvaziam a pauta original dos protestos.

No cenário 2, as centrais sindicais terminam o dia ainda menos expressivas do que começaram, sem mudar nada – mostrando que foram mesmo anuladas, em termos políticos, pela proximidade como o governo.

O resultado depende do sucesso dos protestos de hoje.

No Rio, pelo menos, quase tudo funcionou normalmente. Os bancários pararam, mas eles já estão na sua greve tradicional de meio de ano por aumento de salário. A UFRJ parou, mas ela para por três meses toda hora: uma parada de um dia não faz muita diferença.

Parece que pararam os transportes em Porto Alegre e Belo Horizonte. Mas se for só isso, é pouco. Comparado ao mais de um milhão de pessoas nas ruas em 20/6, duas greves de ônibus, algumas de metalúrgicos e bancários e alguns piquetes de sindicalistas e bloqueios de estrada são uma espécie de anti-clímax.

As centrais sindicais, pelo jeito, perderam o respaldo dos trabalhadores que deviam representar – não conseguiram tomar a frente dos protestos de rua.

PS.: Chamada da Folha de S. Paulo algumas horas mais tarde:

Tropa de Choque faz cerco a manifestantes na Cinelândia, no Rio

 O governador Sérgio Cabral não fez muita distinção entre as passeatas e mandou a polícia atrás da de hoje. Destrinchando os comentários sobre “mascarados” e “baderneiros” da apresentadora da GloboNews, deu pra entender que a polícia cortou o trajeto da passeata e não permitiu que chegasse à Cinelândia.

Agora que os sindicalistas também apanharam, alguém vai fazer alguma coisa contra a repressão às passeatas no Rio? Ou vão esperar o governador mandar o Batalhão de Choque atrás das velhinhas que atravessam a rua juntas em Copacabana? (São muitas. Às vezes parece até um protesto…)

Rio de Janeiro, 11/07/2013.

Rio de Janeiro, 11/07/2013.

O Rio de Cabral.

O Rio de Cabral.

PS2: Do site do Estadão:

18h37– RI O – Policiais usam armas taser (de choque) para controlar manifestantes que estão na Avenida Almirante Barroso. (Antonio Pita e Heloisa Aruth Sturm)

18h15– RIO – Cerca de 300 manifestantes acabaram de sair do Largo do Machado, na zona sul do Rio, rumo ao Palácio Guanabara, sede do governo do Estado. Aos gritos de “Fora Cabral”, e “Fora Renan”, eles cogitaram seguir para o Palácio Laranjeiras, residência oficial, que não é ocupada pelo governador, para tentar frustrar o esquema de segurança organizado pela PM. No entanto, a maioria insistiu em seguir para o Guanabara. Eles interromperam o trânsito na Rua das Laranjeiras, por onde seguem. O grupo que lidera a passeata carrega uma faixa com a frase “Somos a Rede Social”, em referência à forma como se reuniram pela internet. (Fábio Grellet)

19h43 – RIO – Policiais militares do Batalhão de Choque chegaram há pouco à Cinelândia, no centro do Rio, onde se concentram nas escadarias do palácio da Câmara dos Vereadores cerca de 200 pessoas que participaram da manifestação que saiu no fim da tarde da Igreja da Candelária. Os PMs mobilizaram dois veículos blindados, conhecidos como Caveirões, além de um caminhão-tanque de água. Quando os policiais chegaram, os manifestantes começaram a gritar “sem violência, sem covardia”. Mais cedo, houve confronto e a polícia atirou bombas de gás. (Heloisa Aruth Sturm)

Do site da Folha

Por volta das 20h, mais de 300 policiais estavam na região da Cinelândia, incluindo uma tropa do batalhão da PM da área. Cinco carros da Tropa de Choque, um “caveirão” (blindado da PM) e um veículo equipado com jatos de água estão posicionados na Cinelândia. Muitas motos da PM também circulam na mesma área.

O protesto de sindicalistas no centro do Rio chegou a reunir 2.500 pessoas ao longo da tarde. No início da noite, houve confronto entre um grupo de manifestantes mascarados e os policiais militares.

Manifestantes pacíficos pedindo "Fora Cabral".

Manifestantes pacíficos pedindo “Fora Cabral”. Rio, 11/07.

Polícia em frente ao Palácio da Guanabara.

Polícia em frente ao Palácio da Guanabara.

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