É a economia, presidente!

junho 25, 2013

A falta de entusiasmo com que a presidente Dilma Rousseff leu seu discurso para acalmar os manifestantes é um sinal de que nem ela acredita no que está ali.

Estou doente, em casa. Já vi dezenas de vezes os apresentadores de TV se contorcerem para tentar dar a impressão de que vai sair alguma coisa dos R$ 50 bilhões prometidos pela presidente para a área de transporte.

Já prometeram muito mais dinheiro do que isso para obras pós-enchente, para programas de construção da casas populares e afins. Todo ano, o Tesouro Nacional repassa mais do que isso para o BNDES emprestar a empresas amigas (sem grandes resultados).

O fato é que o governo não cedeu nada. Ninguém abriu mão de qualquer regalia. Prometeram uma discussão sobre reforma política, coisa que – se sair – vai demorar anos para funcionar.

Não, não é isso que vai acalmar os manifestantes.

Prometeram tentar transformar a corrupção em crime hediondo. Tá bom. E aí?

Há vários casos de corrupção conhecidos, documentados e apurados. Desses, o que mais me assombra é o do Farmácia Popular. O Tribunal de Contas da União identificou superfaturamento de até 2.000% (dois mil por cento) na compra de alguns remédios pelo programa. Dilma suspendeu o programa? Pelo contrário, o ampliou – e usou com peça de propaganda política.

Das promessas, então, ela mesma não espera nada.

Mas o que poderia ter feito?

O básico: poderia tentar entender por que as pessoas estão nas ruas e tentar resolver o problema.

E por que elas estão lá?

A resposta é o clichê do único marqueteiro que não achava que tudo é questão de imagem: elas estão lá por causa da economia. Diretamente por causa da economia.

As expectativas criadas em 2010 – com o governo injetando todo o dinheiro que podia no mercado para eleger Dilma – não vão se concretizar. E, se o governo podia ter tentado segurar a inflação logo que Dilma assumiu, abriu mão de fazer isso, baixou juros e deixou os preços subirem.

Agora, os preços em alta empobrecem dia-a-dia os consumidores e as perspectivas de aumento da renda pioram mais ou menos no mesmo ritmo (as passagens de ônibus foram só mais um aumento de preços).

De novo: o que Dilma pode fazer? Pode fazer o que os oráculos ingleses da Economist lhe disseram para fazer seis meses atrás: mudar a política econômica (e o ministro da Fazenda). Se continuar com essa política, disseram os oráculos, não vai se reeleger.

Isso, mais uma vez, me convence de que Dilma não é uma pessoa maquiavélica. Se fosse, teria chutado Mantega e melhorado as perspectivas econômicas para os brasileiros. Ela parece acreditar na política econômica desastrosa que está implementando.

Mas, se continuar assim, a inflação vai continuar empobrecendo os brasileiros e suas esperanças de ter uma renda melhor vão continuar sendo destruídas.

Se continuar assim, a insatisfação que levou o povo para as ruas não vai passar.

Eu sei, é duro cortar gasto público no meio da crise. Mas ela podia compensar isso nos dando alguns aperitivos, como as cabeças de três ou quatro ministros.

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