Galinha pirata

abril 27, 2013

A galinha azul estava no alto da pilha. O camelô perto do Largo da Carioca estava desmontando a barraca e ela era uma das poucas coisas ainda não embrulhadas.

Galinhas pintadinhas são uma espécie de hit entre os menores de cinco anos. Duas semanas atrás, vi uma delas a venda por R$ 160 em um shopping de Botafogo.

Por um segundo pensei em comprar a versão pirata do camelô.

Sou um adepto do livre mercado, quer dizer: acho que o mercado tem alguns mecanismos de auto-correção que não devem ser desprezados.

Um deles é a pirataria.

Sempre que alguém abusa de um monopólio (cobra preços delirantes pelo uso de uma marca ou registro), surgem cópias piratas.

Para estimular a pirataria, então, pensei em comprar a galinha azul.

Mas não cheguei a perguntar o preço. O azul do pelo (tecido, não pelo, muito menos penas) era meio desbotado e o bico da galinha pirata tinha um ar realmente triste.

Não dou bonecos tristes para crianças.

Segui em frente, então.

Estamos em uma época estranha. Galinhas de pelúcia são vendidas por R$ 160 em shoppings, os jornais ignoram surtos de dengue, o governo diz que a alta da inflação é bobagem, o legislativo faz propostas para extinguir o STF e eu mesmo me entristeço porque a galinha falsa do camelô não está sorrindo.

Eu era menos sensível a essas coisas…

Pássaro de pedra egípcio, sem preço.

Pássaro de pedra egípcio, sem preço.

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