A criatura e seus amigos

abril 23, 2013

Quem nomeia um lobista para um ministério não pode ficar surpreso por ele transformar a pasta em um grande escritório de lobby. No começo, o lobista pode (e deve) ser discreto. Mas, depois de mais de sete anos no cargo, ele pode acabar perdendo o pudor.

Pensei nisso hoje vendo o ministro da Fazenda ao lado da representante da associação dos usineiros (produtores de cana, álcool e afins). O ministro anunciava os favores que faria ao setor: compras garantidas para aumentar a mistura de álcool na gasolina, isenções de imposto, mudança na estrutura de cobrança (agora mais simples) etc..

O saldo da entrevista é a certeza de que hoje, mais do que nunca, fazer lobby em Brasília é muito mais lucrativo do que investir em pesquisa ou comprar mais máquinas e equipamentos. Hoje, mais do que nunca, o Brasil é dos amigos do Rei, ou do ministro, ou do grupo político do ministro.

Mas eles não precisavam  deixar todo o resto de lado. Quer dizer: o que o governo chama de política econômica é simplesmente gerenciamento de lobby. As políticas de isenção específicas para montadoras, produtores de massas alimentícias e afins são só favores para amigos, não há nada de política econômica nisso.

A mudança nas regras para cobrança por energia elétrica foi resultado do lobby de grandes consumidores de energia, do lobby da indústria. Mesmo tendo sido vendida como medida para agradar o povão, seu objetivo era agradar alguns grandes consumidores (para quem a redução de preços foi maior até em termos percentuais).

Pequenos consumidores de energia já têm tarifas mais baratas, o efeito da redução sobre os que já pagavam tarifas sociais e tarifas para pequenos consumidores não vai afetar muito seu orçamento. Já para empresas com maquinário pesado ou processo intensivos em eletricidade (como produção de alumínio), o resultado do lobby foi maravilhoso: muito melhor do que investir em processos alternativos de geração de energia ou fazer qualquer outro tipo de investimento.

E assim seguimos, sem política econômica nenhuma, só atendendo a amigos. E assim a economia vai desacelerando e a inflação vai subindo. Como já disseram os ingleses da Economist, teria sido melhor trocar o ministro…

Escada a baixo, com toda a pompa.

Escada a baixo, com toda a pompa.

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