O mal aos pouquinhos

fevereiro 6, 2013

A frase mais famosa de Maquiavel é aquela sobre o bem e o mal. O bem, segundo ele, deve ser feito aos poucos, o mal, de uma vez.

Fazer o mal aos poucos é pedir para ser odiado pelo público. É o pior dos mundos para um político.

É por isso, provavelmente, que a inflação é um veneno tão eficiente contra a popularidade do governo. Ela é o caso extremo de mal aos pouquinhos.

Todos os dias, o pobre consumidor vê algum preço subir: pode ser o cafezinho, pode ser o aluguel, pode ser o plano de saúde, pode ser a gasolina. Todo dia ele é lembrado de que está ficando mais pobre.

E a culpa, não há dúvida: é do governo.

E nesse caso é mesmo. É o fim da política econômica que está trazendo a inflação de volta. A inflação era controlada por uma política de metas (juros), câmbio flutuante e déficit sob controle nas contas públicas (também conhecido como superávit primário). O governo abandonou as três coisas. Não deveria ficar surpreso com a alta dos preços.

Também não deve ficar surpreso com o horror dos eleitores, que virá, cedo ou tarde.

O nível baixo de desemprego tem segurado a popularidade de Dilma & cia. Mas, para ficar nos chavões: ganhar, para depois perder, é pior que não ganhar. A renda cresceu – para agora ser engolida pela inflação. E engolida aos pouquinhos, do jeito mais doloroso.

Vítimas do mal feito aos poucos. Santiago, Chile, Museu de Belas Artes.

Vítimas do mal feito aos poucos. Santiago, Chile, Museu de Belas Artes.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: