Assimetria, teoria econômica e outros indicadores de que o BC não sabe o que faz

janeiro 1, 2013

Um amigo me enviou outro dia um bom artigo resumindo as idéias do profeta heterodoxo Hyman Minsky. Profeta ou não, Minsky é um pouco chato no original. Por isso, vale a pena ler resumos sobre ele. Para quem quiser, este, de L. Randall Wray, dá uma boa ideia do que o analista de depressões econômicas pensava.

O texto tem um trecho especialmente bom sobre os efeitos da redução da taxa de juros em tempos de crise:

“Para Minsky, a taxa de juros não seria uma grande força de estabilização: (…) reduzir as taxas durante um colapso não faria muito para encorajar o endividamento se as expectativas estivessem muito ruins [devasted]” (página6).

Aqui na terra dos papagaios, é difícil prever como os juros baixos vão afetar o investimento (e o crescimento da economia). O Banco Central faz suas projeções a partir de modelos econométricos, mas a econometria tem limites: alguns bastante curtos.

O problema é exatamente o discutido por Minsky: a relação entre juros e consumo, entre juros e investimento, enfim, entre juros e demanda, não é simétrica.

É mais fácil ver isso pensando no caso da renda. Uma pessoa que tem um aumento de salário rápidamente passa a consumir mais. Uma que tem uma redução, demora a mudar seu padrão de consumo. Antes de cortar a assinatura do jornal e a sobremesa do almoço, ela pode gastar parte de suas economias, ou parar de poupar (se antes conseguia economizar).

Mas modelar essas diferenças de efeito é complicado. A maior parte dos modelos econométricos trata um aumento de 1% em alguma variável como tendo o mesmo efeito (mas na direção contrária) de uma redução de 1%.

Não temos um histórico muito bom de reduções de juros aos níveis atuais (simplesmente nunca aconteceu, pelo menos não desde que o Brasil passou a ter dados disponíveis para análises econométricas). As previsões, então, ficam mais difíceis.

Com mais dificuldade para enxergar o que vem por aí, governo e BC deviam ficar mais cautelosos – e não mais histriônicos – deviam esperar para ver (e não sair mudando IPIs, IOFs e outros). Deviam diminuir sua exposição aos efeitos de erros de previsão.

Mas a aceleração da inflação nos últimos meses – com queda nos juros e comunicados obscurantistas do Banco Central (ele não admite nem que está travando o câmbio), dão a impressão de que o governo quer pisar do acelerador – mesmo levando em conta a chance de abismo no fim da curva.

Areia na beira d'água em Armação dos Búzios: analise como conseguir.

Areia na beira d’água em Armação dos Búzios (RJ): analise como conseguir.

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