A estranha arte de caçar com gatos (e seus efeitos colaterais)

dezembro 31, 2012

Em 1989, pouco antes do início do governo Collor, os jornais passaram algumas semanas especulando sobre quem seria o ministro da Fazenda do novo governo. Os nomes lembrados eram de economistas conhecidos, como Mário Henrique Simonsen. Nenhum jornal levou a sério a hipótese de Collor escolher a assessora econômica de sua campanha, Zélia Cardoso de Melo.

O resto da história é bem conhecido.

Nove anos depois, no início de 1999, FHC convidou Francisco Lopes para ser presidente do Banco Central. A experiência durou poucos dias. Seu saldo foram duas falências de bancos (do tipo que a Policia Federal tem que investigar), o rápido esgotamento das reservas cambiais do país e a criação de um novo modelo de câmbio: a “banda diagonal endógena”.

Quando perguntaram a FHC por que tinha nomeado Lopes, o então presidente respondeu: “Quem não tem cão, caça com gato”.

Se os políticos estudassem história teriam entendido, a partir daí, que caçar com gato é, no mínimo, temerário, principalmente se for um gato doméstico, como um assessor econômico do partido ou um diretor ambicioso querendo ser presidente do BC.

De qualquer jeito, seis anos depois, quando Antônio Palocci foi acusado de quebra de sigilo bancário e deixou o ministério da Fazenda, Lula nomeou Guido Mantega para substituí-lo.

Na época, os jornais noticiaram a nomeação como sendo para um mandato tampão, de dois anos. Eram tempos de mercado externo tranquilo. Para o novo ministro, bastaria manter a política econômica de Palocci e repetir suas justificativas, com frases como: “O Brasil é como um transatlântico – e transatlântico não dá cavalo de pau”.

Mas veio a crise – e Lula manteve Mantega. Depois, Dilma o manteve também. O resto da história ainda não é completamente conhecido. Mas, a julgar pela inflação acelerada, pela queda do investimento e pela destruição institucional que se vê por aqui, a máxima do “não caçarás com gato” vai se mostrar, mais uma vez, verdadeira.

Bode - há outo anos no meio da sala.

Bode – há oito anos no meio da sala.

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