A rena de natal e a economia anos 70

dezembro 28, 2012

Em seu emocionante Conto de natal o blog BeyondBrics sugere que Dilma, nossa rena presidente, seja mandada de volta para os anos 70.

O blog foi muito atento. É para lá mesmo que ela parece estar indo (e nos levando junto).

As taxas de juros negativas do BNDES, o aumento das barreiras alfandegárias, o favorecimento a grupos de industriais, a aceleração da inflação, a pouca atenção à educação básica (responsável pela produtividade do trabalho) são marcas do Governo Geisel.

O resultado dessas coisas – os economistas não cansam de lembrar – foi a década perdida, entre os anos 80 e 90.

As discussões sobre o trem bala de Dilma me lembram sempre do trecho abaixo, do livro A ditadura encurralada, de Elio Gaspari. O trecho é sobre a Açominas, uma das muitas estatais que o governo Geisel criou porque não havia mais ninguém interessado em criar – a não ser alguns fornecedores, construtoras e teóricos da “substituição de importações”:

“Deveria ter custado 1,8 bilhão de dólares e entrado em funcionamento em 1980. Custou 7 bilhões e operou em 1986. Sete anos depois, falida, a siderúrgica foi privatizada por 598,5 milhões de dólares” (Gaspari, 2004, p.49).

Em vez de contratar e treinar professores, o governo quis produzir aço. O resultado do dinheiro mal usado é, ao mesmo tempo, investimento sem retorno e má formação profissional. Essas duas coisas juntas são parte da explicação para a década perdida: são queda de produtividade. Nossa produção por pessoa e por cruzeiro investido, passou a ser menor.

O gráfico abaixo é uma estimativa da produtividade da economia do país entre 1950 e 2000. Não precisa explicar muito, o gráfico fala por si.

A produtividade total dos fatores é, resumidamente, a geração de renda ajustada para os aumentos no estoque de capital e de mão de obra.

PTF

Fonte: Gomes, Pessoa e Veloso – 2003.

PS.: Não entendo bem por que os jornalistas daqui não conseguem produzir coisas como o conto de natal do blog do Financial Times. Às vezes tenho a impressão que isso é um dos efeitos do gasto reduzido em educação básica – que o Brasil, tradicionalmente, insiste em manter.

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