Uma nova Espanha?

dezembro 26, 2012

O Brasil de hoje parece a Espanha de 2005. A avaliação, feita por espanhóis – do alto dos seus mais de 25% de desemprego -, assusta um pouco. A comparação é a seguinte: o Brasil tem bolha imobiliária, consumo forte (movido a crédito  e começando a desacelerar), inadimplência em alta e investimentos mal alocados (mais de R$ 300 bilhões do Tesouro em financiamentos subsidiados do BNDES).

Essa, segundo eles, foi a receita da crise na Espanha.

A reversão de expectativas também atrapalha. Até o início de 2012, os estrangeiros conseguiam fazer projetos para investir no Brasil. Mas a mudança na política cambial fez muita gente engavetar os projetos. Passamos de câmbio flutuante com perspectiva de valorização – até o início de 2012  – para câmbio controlado com desvalorização forte durante o ano.

Projetos de investimento de longo prazo costumam depender muito de suas projeções de retorno nos primeiros anos. Quedas abruptas nessas projeções – como as que aconteceram por conta da desvalorização – simplesmente inviabilizam alguns projetos.

O governo tem tentado dar a impressão de que combate a espanholização da economia – e brande a queda dos juros reais para menos de 2% ao ano como um grande feito.

Mas a coisa não é tão simples. O governo não decidiu baixar os juros. Ele viu os juros caírem porque travou o câmbio. Com câmbio fixo, a taxa de juros passa a ser (quase automaticamente) igual à taxa de juros no exterior mais um prêmio de risco. Como os juros no exterior estão próximos de zero – e nosso prêmio de risco próximo de 200 pontos – nossos juros ficaram baixos.

O governo não admite que está controlando o câmbio, então não se sente obrigado a dizer porque travar o câmbio seria um boa ideia. Para os investidores, parece não ter sido.

Sobre os juros mais baixos, eles podem estar deixando a inflação mais solta. Certamente estão adiando o estouro da bolha imobiliária. O problema desse tipo de adiamento – pelo que se vê no histórico das bolhas especulativas das últimas décadas – é que, quanto mais  uma bolha demora a estourar, maior o estrago do estouro.

Nos EUA foram mais de 10 anos de alta forte dos imóveis. A Espanha também demorou a a explodir. Aqui, como nesses dois casos, governo, corretores de imóveis e donos de construtoras garantem (com a maior convicção): não há bolha imobiliária. Ok. Se estivermos mesmo parecidos com a Espanha em 2005, ainda podemos ter uns dois ou três anos antes da explosão. É esperar para ver.

Onde os gatos não têm vez..

Decadência: policiais prendem Hello Kitty no centro de Madri.

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Uma resposta to “Uma nova Espanha?”

  1. Ricardo said

    Os apagões de ontem (Aeroporto Tom Jobim e vários bairros do Rio) e os das últimas semanas (em vários estados), me fazem pensar se a melhor comparação não seria com a Argentina. Mas tenho medo de pensar nisso…

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