Dilma: iceberg à frente, acelerem!

dezembro 14, 2012

A resposta do governo à queda do investimento e ao baixo crescimento da economia foi dizer que estava tudo bem e apresentar mais do mesmo: mais R$ 100 bi do Tesouro Nacional serão liberados para o BNDES, mais mudanças de regras setoriais serão feitas (agora no setor de gás natural) e já houve mais mudanças súbitas na política cambial.

O Banco Central, sem comunicar nada oficialmente, passou a puxar câmbio para baixo. Seu presidente – em entrevista, não em ata ou comunicado oficial – deu a entender que o BC estava segurando o câmbio para conter a inflação. Mas o câmbio não era flutuante? A inflação não era contida pelos juros?

Essa política de ir fazendo sem explicar dá uma liberdade enorme ao Banco Central. Mas seu efeito colateral é aumentar ainda mais a – já grande – imprevisibilidade da economia. Hoje não sabemos nem qual vai ser a política cambial do mês que vem. O governo continua jurando que o câmbio é flutuante, mas isso, pelo menos, temos certeza que não é.

Anunciar mudanças no setor de gás natural – como Mantega e o ministro condenado pelo comitê de ética do governo Fernando Pimentel fizeram em entrevistas em Paris – deixa claro que ninguém está a salvo da mão grande do governo federal: se o seu setor começar a dar lucro, dona Dilma vai mudar as regras.

Resumindo: hoje, quem investe aqui sabe que tem grandes riscos de surpresas negativas e que se – por muita sorte – tiver uma surpresa positiva (valorização do seu produto, descoberta de grandes reservas de petróleo etc.), o governo vai mudar as regras para encampar o lucro.

Depois não entendem porque ninguém investe.

Por fim, outra reação curiosa ao baixo crescimento da economia foi a de negação explícita. Um ex-diretor do BC (investigado pela quebra – com indícios de fraude e vazamentos de dados – de dois bancos) publicou artigos dizendo que não é nada disso, que a economia está crescendo apesar do que dizem os números. Alguns analistas estimam que ele está querendo cair nas boas graças do governo depois de 14 anos no ostracismo (desde que deixou o BC).

Um analista da consultoria Luciano Coutinho e Associados (LCA), publicou um artigo concordando com o ex-diretor investigado do BC: dizendo que está tudo bem, que dá para continuar com as políticas atuais. Depois, um subordinado direto de Luciano Coutinho (um diretor do BNDES) escreveu outro artigo dizendo para as pessoas não prestarem muita atenção nos dados do IBGE, para usarem o índice antecedente do Banco Central (IBC-Br).

O engraçado é que o IBC- Br foi criado para tentar antecipar os dados do IBGE. Ele é feito com muito menos informação (é divulgado com mais antecedência) e não desagrega informações como investimento e crescimento por setor. Ele é só uma tentativa mais rápida e simplista de antecipar o PIB. Parece que o diretor do BNDES não se informou bem sobre isso.

Em suma: se a crise de 2008 serviu de desculpa para abrirem o baú das políticas à Ernesto Geisel, o efeito dessas políticas não está servindo para fazer o governo parar com elas. O governo reage com negação e mais do mesmo.

Pelo jeito, a coisa ainda vai ter que piorar muito até pararem de negar os fatos e mudarem de política (e de ministro da Fazenda).

Pensador de pedra sabão.

Pensador de pedra sabão.

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