De cartas e bancos (re-redux)

setembro 19, 2012

Texto publicado há três anos e republicado no ano passado:

Carteiros e bancários estão simultaneamente em greve esta semana. As reivindicações, justas ou não, são bem parecidas: reajuste, demandas relativas à participação nos lucros, melhoria das condições de trabalho e contratações. A imprensa faz a cobertura de sempre, acompanhando as negociações, monitorando a adesão, registrando os transtornos ao resto da população e tentando esclarecer as dúvidas práticas decorrentes da paralisação.

De um aspecto, porém, não se fala, nem nos jornais, nem nas rodinhas de conversa: em larga medida, a greve, para essas duas categorias em particular, é um tiro no pé.

Além do governo e do patronato, carteiros e bancários enfrentam um inimigo cruel, conhecido vulgarmente como alternativa. E talvez não exista melhor exemplo, por unir as duas frentes, que o boleto bancário. Comumente recebido pelo correio, pode, em muitos casos, ser impresso nos sites das empresas e bancos. Um dia figura popular nas filas das agências bancárias, tornou-se, aos poucos, mais afeito à praticidade das caixas eletrônicas e do internet banking.

A greve, nesse contexto, só incentiva os resistentes ao meio eletrônico a abandonar de vez os caminhos tradicionais. E, quanto mais gente migrar para a internet e o autoatendimento, menos força terão as categorias profissionais e mais absurdas serão reivindicações como a contratação de mais empregados.

Talvez seja uma realidade cruel. Mas não menos real por isso.

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