Prefeitos que fazem

agosto 21, 2012

O Brasil tem pouca tradição em ciência e pesquisa. Nunca ganhamos um prêmio Nobel (nem de literatura). Mas temos séculos de tradição e avanço técnico na área do desvio de verbas. Aqui foram estabelecidas as leis gerais do desvio. Uma delas, para quem não conhece, é a que prevê que o desvio de verba é proporcional ao orçamento da área.

Não à toa, o slogan Rouba mas faz surgiu em São Paulo, o estado mais rico do país. O slogan é tradicional – dos tempos do governador Ademar de Barros. Barros criou toda uma escola de pensamento. Seu maior herdeiro intelectual, Paulo Maluf, acumula décadas de serviços prestados ao desenvolvimento de tecnologia para o roubo. (Posso chamar de ladrão sem medo de ser processado, pois uma das condenações de Maluf foi em terceira instância).

Criatividade e dedicação à parte, Maluf não inovou nos fundamentos da corrupção: roubou fazendo, quer dizer, superfaturando obras.

E, espanto à parte, continuou sendo eleito. Fez isso graças ao bem pago marqueteiro Duda Mendonça (que trabalhou com ele antes de eleger Lula) e às obras superfaturadas, que até hoje apresenta como “prova” de boa administração. O mandato de deputado lhe dá imunidade parlamentar, quer dizer, o mantem longe das grades.

Mas é chato falar de São Paulo, quando vários dos maiores avanços nesse campo estão surgindo em outros lugares. Um que comprova a relação orçamento/desvio é o do Farmácia Popular. Ontem o Estadão publicou matéria mostrando como o programa superfatura a compra de remédios (pagando até 163 vezes mais do que a administração pública quando compra diretamente).

O assunto não é novo. O Tribunal de Contas da União tem mais de um relatório condenando o programa.

Mas tudo isso foi só para lembrar que um grande bolo de dinheiro está vindo para o Rio de Janeiro por conta da temporada olímpica daqui a quatro anos. Se vale a constate universal da corrupção (roubo proporcional ao orçamento) vem aí muito roubo.

Um dos grandes avanços tecnológicos na corrupção brasileira é o lema do prazo. Esse lema diz que quanto menor o prazo para a execução de uma obra, maior a chance de aditivos de contrato inflarem o pagamento (ele complementa, mas não chega a contradizer, a constante universal).

Muita gente vai gastar muito dinheiro nessa campanha para a prefeitura. Afinal, a prefeitura é quem organiza as obras. Mas, segundo os postulados da teoria do desvio de verba (conhecidos no Brasil com profundidade científica), o investimento eleitoral vai valer a pena.

Egito antigo: vítimas da corrupção de baixa tecnologia.
 
 
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