A felicidade

agosto 15, 2012

Como todas as modas, a do índice de felicidade é cíclica. Nas últimas semanas, economistas daqui e de vários países escreveram sobre o assunto: de Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, a Eliana Cardoso, da USP. Até a OECD lançou um índice para tentar comparar a qualidade de vida mundo afora.

O ciclo dos índices de felicidade é como o ciclo econômico: na verdade, ele é o ciclo econômico. Sempre que a economia cresce pouco ou entra em recessão, os governos começam a dizer que gerar renda é um detalhe, começam a propor indicadores alternativos. Dilma não foi a primeira a dizer que o PIB não é importante (“o importante é proteger as criancinhas”).

Mas gerar renda é importante, até para proteger as criancinhas. E renda é uma coisa que, bem ou mal, a gente sabe medir. Já a felicidade…

Há dois grupos de indicadores de felicidade sendo propostos mudo a fora. O primeiro grupo é o dos subjetivos: os dados vêm de questionários em que as pessoas respondem o quanto se consideram felizes, se se sentiram felizes no dia anterior, se ficaram deprimidas etc.

O segundo grupo agrega coisas que sabemos que têm a ver com bem-estar, reúne dados sobre saúde, emprego, tempo gasto para ir e voltar do trabalho etc.

O primeiro grupo é bem difícil de usar. Há um pesquisador da Fundação Getúlio Vargas que não se cansa de repetir que o brasileiro é o povo mais feliz do mundo – o que quer que isso signifique. Mas o fato é que esse tipo de resposta a questionário não indica muita coisa. Outro pesquisador mostrou que pôr uma nota de US$ 1 ao lado da maquina de xerox andes de pedir para o entrevistado xerocar o questionário (para a cobaia achar que está com sorte) afeta profundamente as respostas quado as perguntas são sobre felicidade.

Já no caso das pesquisas com itens objetivos (tempo para ir ao trabalho etc.) a dúvida é: não é mais fácil cuidar logo dos problemas em vez de inventar um índice com ponderações discutíveis que soma laranjas e médicos per capita?

A gente já sabe que não ter médico quando se precisa deixa as pessoas menos felizes, que educação ruim e desemprego afetam a auto-estima, não precisamos de um índice novo para dizer isso.

Se é para orientar políticas públicas, esqueçam o índice, gastem com educação e saúde que, todo mundo sabe, são os grandes buracos aqui na terra dos papagaios.

Se for só para diminuir a sensação de tristeza, talvez os acadêmicos da lista aí em cima devam tenar um psicólogo… mesmo sabendo que, segundo um grupo de pesquisadores de uma dessas universidades inglesas, isso não adianta muito.

Tomar ginkgo biloba importada aumenta a felicidade?

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