O fim da Espanha

julho 21, 2012

A Espanha vai implodir. Encontrei a descrição detalhada da implosão em uma estante de casa. É praticamente um livro de profecias.

Escrito nos anos 80, nos Estados Unidos, o livro descreve em detalhes a crise Espanhola – inclusive os próximos capítulos. Pior: é um livro de economia heterodoxa e a descrição de como a Espanha vai naufragar aparece no capítulo em que o autor explica porque a teoria ortodoxa – a síntese neoclássica – não funciona.

Resumindo bastante: a queda nos salários durante a crise espanhola – segundo os neoclássicos – deveria fazer a Espanha recuperar sua competitividade. Com a recessão, o desemprego aumenta, os salários caem, o custo de produzir diminui, a produção é reanimada e os empregos crescem novamente.

Mas o livro de profecias diz que não vai ser assim. O modelo da síntese neoclássica esquece completamente o mercado financeiro. A simplificação parece razoável na sala de aula. Mas não é. Não dá para deixar todas as dívidas, empréstimos e afins de lado na hora de ver como a Espanha vai reagir ao corte de gastos do governo.

Empresas, famílias, bancos, talvez o próprio governo, diante da perspectiva de recessão à frente, verão seus ativos perderem valor, começarão a ter dificuldade em pagar suas dívidas, cortarão qualquer tipo de investimento e – sem conseguir financiamento para pagar as contas (e as dívidas) – irão à falência.

Com a falência, não surgirão novos empregos para os desempregados e a economia não voltará aos níveis normais de emprego e produção. Ela vai ficar décadas (sim, no plural) em crise.

A propósito, o livro de profecias, Stabilizing an unstable economy, de Hyman Minsky, desanca a teoria neoclássica de um jeito que nunca vi na faculdade. Segundo Minsky, os formuladores da teoria estavam preocupados em mostrar como a economia tenderia naturalmente a voltar ao equilíbrio depois de algum desajuste, não em entender como os desajustes acontecem.

O resultado é que os neoclássicos têm dificuldade em entender como se formam crises com o tamanho da atual e acham que é só questão de tempo para que passem – embora possam dar empurrõezinhos com quedas nos juros e aumentos de gastos públicos.

Mas hoje, nem o aumento de gasto público os espanhóis estão adotando. Empurrados pela Alemanha, eles  estão correndo para a própria falência. Talvez não custem muito a chegar lá.

Madri: na direção errada.

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