Onde nenhum presidente jamais esteve?

julho 14, 2012

O governo Dilma está se aventurando por um terreno desconhecido, onde presidente nenhum jamais esteve (talvez Campos Sales, mas não me lembro direito).

Talvez não dure. Há sinais de que Dilma pode mudar de rumo antes de poder se empolgar com o “nunca antes na história…”

A novidade é a seguinte: como seus formuladores de política não são muito criativos, Dilma resolveu seguir as recomendações de seus críticos, quer dizer, trocou a política monetária pela política fiscal.

A ideia, a princípio, é boa: o governo economiza com o corte de gastos e economiza com o pagamento de juros. Corta os gastos e abre espaço para cortar os juros – já que os funcionários públicos e fornecedores do Estado têm que apertar o cinto e parar de gastar em coisas fúteis – como aluguel.

Mas fazer as coisas pela primeira vez é difícil. E aprender fazendo é coisa de amador. O resultado é que a economia está estagnada e a pressão sobre o governo está aumentando. Lobistas de todas as áreas batem à porta para perguntar o que o governo vai fazer para a economia crescer de novo.

Bom, ontem o governo aumentou o salário dos professores universitários federais em até 48%  (em três prestações anuais).

Se seguir por aí vai afrouxar a política fiscal. Dependendo de quanto afrouxar, o resultado pode ser razoável.

Na prática, ninguém sabe qual a combinação de corte de juros e corte de gasto que vai fazer a economia crescer sem a inflação acelerar – é um terreno novo e desconhecido.

Há até quem acredite que não é por aí e que o país vai crescer pouco independentemente de como o governo administre o curto prazo.

Para muitos economistas (e sinto uma grande vontade de concordar com eles) o problema é estrutural: o governo ficou muito tempo empurrando para depois a reforma tributária e outros ajustes que melhorariam a produtividade do país e a conta do não-ajuste estaria começando a chegar.

Bom, é esperar para ver. Com o comércio em queda (vide Pesquisa Mensal de Comércio) pode haver espaço para os juros caírem ainda mais. Mas a queda dos juros demora para fazer efeito – então talvez eles já tenham caído demais e ainda seja cedo para notar…

Não sei. É um mundo novo em termos de política econômica e quem está a cargo da sintonia fina da política é…o ministro Mantega.

Para onde vai a economia?

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