A solução de curto prazo para a crise européia é transformar a Alemanha no Brasil. Não completamente, só na política fiscal.

O mais curioso é que essa solução é perfeitamente aceitável para os alemães.

O governo alemão precisa gastar dinheiro, aumentar o déficit público, ter arroubos assistencialistas.

A primeira ministra Ângela Merkel tem que se perguntar o que os eleitores querem – e comprar para eles, agora. Aumentar os salários do funcionalismo, melhorar o nível dos hospitais e escolas públicos (ainda mais), atender a todas as demandas possíveis por investimento.

Curiosamente, o efeito macroeconômico dessas medidas será excelente.

O aumento da demanda alemã vai estimular a produção no resto da Europa. Quando não houver oferta para atender à demanda, esse aumento vai puxar os preços para cima. E o aumento de preços na Alemanha vai corrigir as distorções criadas na Zona do Euro durante os tempos do crédito barato, antes da crise.

Nessa época, preços e salários subiram muito na Espanha, Irlanda, Portugal e outros. Comparados à Alemanha, esses países ficaram caros (para a produtividade que têm).

Como eles não têm moeda própria para desvalorizar, estão reduzindo preços e salários em termos nominais. Mas, para fazer isso, só com muita recessão e desemprego.

Muito mais simples é aumentar a demanda e os preços na Alemanha. A solução à brasileira vai agradar ao eleitor germânico, garantir votos à primeira ministra e estabilizar o continente.

Para quem acha que a dívida pública alemã não aguenta o tranco, é só dar uma olhada na do Japão – ou na dos Estados Unidos. Países com tradição de bons pagadores (e juros baixos, como os de Alemanha, Japão e EUA) suportam dívidas grandes em tempos de crise.

Um pouco de esbanjamento fiscal – uma vez ou outra na vida – pode ser bastante útil.

Plaza Mayor, Madri, Espanha: Mais turistas alemães, por favor.