Laissez-faire amantegado

maio 22, 2012

A diferença entre fazer teoria (tentar entender como o mundo funciona) e fazer lobby acadêmico para um grupo de empresas fica mais clara em épocas de crise.

O desespero de quem tomou as teses dos lobistas como teoria  fica também mais nítido.

Desde o início da gestão Mantega, o Ministério da Fazenda não tem feito nada além de estimular o consumo. Seria uma espécie de “resposta keynesiana” para todos os problemas: na dúvida, estimule a demanda.

A demanda – para os lobistas que defenderam a tese – poderia crescer indefinidamente, poderia crescer mais que a renda, para sempre.

Bom, as últimas análises de bancos e consultorias dão a entender que a hora da conta chegou. Afinal, não dá para ficar consumindo mais do que se produz.

“As reformas”, o velho chavão que a gestão Mantega desprezou, não vieram. Não houve nenhuma melhora na infraestrutura, no desenho dos impostos, na estrutura de incentivos para produzir.

Tivermos mais demanda e – por inércia – algum crescimento, em uma espécie de “deixa que o mercado se organiza com mais demanda e com dinheiro do BNDES”, um laissez- faire amantegado, uma festa de grandes empresas.

Achar que políticas de curto prazo (demanda) seriam suficientes para garantir crescimento no longo prazo parece agora um pouco ingênuo. Sair anunciando descontos de IPI e novas mudanças de IOF também…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: