Centenas de bilhões de dólares

maio 5, 2012

Mais precisamente, US$ 374,2 bilhões. É isso que o governo do Brasil tem em reservas no exterior. Se você estava curioso para saber porque o dólar chegou esta semana a R$ 1,92, é por isso, porque o Banco Central do Brasil comprou mais US$ 7,2 bilhões em abril (até o dia 27), batendo mais uma vez o recorde de reservas.

O regime cambial do país é de câmbio flutuante – pelo menos em tese – e o BC sempre negou que acumulasse reservas para manipular a taxa de câmbio. Agora não precisa mais negar: ninguém ia levar a declaração a sério. No jornal de hoje, o ministro da Fazenda comemora a cotação do dólar: diz que “o empresário já começa a esboçar um sorriso” com a nova cotação.

O consumidor, o assalariado que não tem aumento quando os importados sobem de preço, esse está longe de comemorar.

O custo de manter reservas de mais de US$ 300 bilhões é igual à o valor das reservas vezes a diferença entre o que o governo ganha por aplica-las no exterior e o que paga aqui para pegar emprestado o dinheiro com que compra os dólares. É um custo alto. O BC devia dizer claramente o que está fazendo – afinal, faz com dinheiro público.

A impressão é de que o governo aposta com força em uma grande freada da economia no futuro. Se não, não tomaria tantas decisões inflacionárias como reduzir a Selic para menos de 9% (que é o que a mudança na caderneta de poupança sinaliza), jogar fora o câmbio como mecanismo de controle da inflação e ainda pressionar os bancos privados para reduzir os juros a seus clientes.

A freada econômica no futuro não é uma hipótese para se despezar. Até o ano passado, muita gente confiava demais em um crescimento constante, “garantido”, para o Brasil nos próximos anos. Estamos começando a ver que essa coisa de crescimento econômico garantido não existe. E a mudança nas expectativas – o botar o pé no chão sobre o que vai ser nossa renda no futuro – já é suficiente para fazer muita gente economizar, já é suficiente para reduzir o consumo das famílias.

É para cortar esse movimento de botar o pé no chão que o governo está expandindo crédito ao consumidor.

Mas, mais do que se opor ao realismo dos consumidores, o governo está fazendo uma aposta. Ninguém conhece o futuro. Há cenários mais e menos próváveis, mas é só isso. E cada escolha de cenário vem com um custo – caso a previsão esteja errada.

Se a previsão do governo estiver errada, o custo vai ser a aceleração da inflação. Para quem é assalariado e não consegue aumentar o preço do que vende (seu trabalho), a melhor defesa é economizar, desde já. O crédito está mais barato? há estímulo para comprar?  Tampe os ouvidos, não olhe para os anúncios e siga em frente. Amanhã, se tudo der errado, a inflação terá engolido seu salário e você vai precisar de cada centavo poupado.

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