Manetas sob encomenda

novembro 15, 2011

Há dois tipos de marketing: o dos grandes cascateiros propagandistas (“Esse candidato é puro marketing”) e o dos menos cascateiros propagandistas. O segundo tipo envolve pesquisa de mercado e tem a ver com criar produtos ao gosto do público ou, como diria um marketeiro, produtos que atendam a necessidades específicas do público (quaisquer que elas sejam).

De tempos em tempos, alguma frase ou evento deixa claro que falta lançar um produto específico no mercado. Nesse caso, os marketeiros podem ir direto à fase do desenho de produtos – sem passar pelas pesquisas de opinião.

A frase de que me lembrei agora é de Harry Truman, presidente dos EUA entre 1945 e 1953. Cansado de ser lembrado dos custos e efeitos colaterais de cada  proposta que apresentava a seus economistas (“on the other hand”, ou , “por outro lado”, eles lembravam), ele clamava por um economista maneta.

Bom, as faculdades de economia não perderam tempo. Há décadas, produzem animais desse tipo. Eles são um estranho cruzamento de lobista com apresentador de programa de auditório – que parece ser capaz de formular argumentos com termos técnicos.

Eles não são inúteis. Podem trabalhar diretamente como lobistas ou em algum outro tipo de defesa de causas bem remuneradas.

Mas quando alguém do bando vai assessorar presidentes de verdade, a coisa fica estranha.

Nos EUA, o exemplo mais marcante é o de Gregory Mankiw, presidente do “Concil of economic Advisers” da Casa Branca entre 2003 e 2005. Sim, com seu discurso anti-impostos, ele é um dos culpados pelos efeitos da Era Bush.

No Brasil não é difícil pensar em lobistas, digo, economistas da indústria automobilística ditando leis na administração federal. Fazer o quê? Eles estão só atendendo à demanda por manetas.

PS.: Estou lendo How markets fail, de John Cassidy. O livro é uma tentativa – muito bem sucedida – de jogar a pá de cal na Escola de Chicago e em teorias como a das expectativas racionais e na hipótese dos mercados eficientes. Até agora, está melhor que The myth of the rational market, de Jutin Fox, que li mês passado. O markets fail é mais genérico, chuta toda a escola de Chicago. O rational market é mais detalhista – e mais isento – mas é apenas sobre teorias ligadas a finanças. Os dois são agradáveis e fáceis de ler.

PS2: Curiosidades à parte,os dois livros começam com a mesma cena: o depoimento de Alan Greenspan no Senado americano: aquele em que o mais longevo presidente do BC dos Estados Unidos diz que o mundo não era bem como ele achava que era.

Mercados falhos, por US$ 11, na Amazon.

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