Zona Franca

outubro 30, 2011

O superintendente interino da Zona Franca fez todos os agradecimentos protocolares e acrescentou: “Quero citar também a doutora Flávia Grosso, a responsável pelo crescimento que esta feira teve”.

Foi o único pedaço do discurso que a platéia aplaudiu. Estávamos na abertura da VI Feira Internacional da Amazônia, em Manaus, e o discurso seguinte foi de Omar Aziz (PSD), governador do Amazonas. Lá pelo meio do discurso, ele pegou a deixa: “Liguei para a doutora Flávia para prestar solidariedade. Disse a ela: nessas horas temos de nos aproximar de Deus e da família, pois só eles ficam do nosso lado!”

Eu tinha chegado a Manaus na véspera e fiquei curioso para saber quem era Flávia Grosso – e que tragédia tinha acontecido com ela.

O motorista do táxi, na volta para o hotel, desfez o mistério: no início do mês, depois de ter contas bancárias bloqueadas pela Justiça Federal e a casa revistada pela Polícia Federal, Flavia Grosso pediu demissão da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Ela é investigada por enriquecimento ilícito e improbidade administrativa. A Justiça bloqueou – em sua conta e na de mais quatro pessoas – R$ 3,7 milhões.

“Mas não vai dar em nada”, previu o desiludido motorista do táxi.

Na noite seguinte, fui a um show de Boi de Parintins organizado pela Suframa para os participantes da feira.

“Eu queria prestar solidariedade à doutora Flávia. Ela nos ajudou muito!”, disse o vocalista do Boi Garantido (que saiu “direto de Parintins” para cantar e nos dar seu recado).  Antes do fim da noite, ele citaria o nome da ex-superintendente mais de 10 vezes – irritando alguns funcionários públicos de carreira sentados perto de mim.

O mais estranho é não haver uma rejeição geral, é tolerarem e defenderem os processados por enriquecimento ilícito que ocupam cargos altos na administração pública.

Eu sei: os paulistas elegem o Maluf, os cariocas, Garotinhos (mais de um), os maranhenses, bom, deixa para lá. Mesmo assim, é estranho ver ao vivo, sem o jornal ou a tela da TV no caminho.

PS. Atravessei a Ponte Rio Negro, ou Ponte do bilhão. É uma boa ponte, 3,5 quilômetros de comprimento, duas pistas para ir e duas para voltar, espaço para pedestres nas laterais… No final, dá para parar o carro e ir ver as águas limpas do Rio Negro. Do lado não-Manaus da ponte, há floresta, saímos da ponte já na floresta. No caminho para retornar, passei por uma olaria. Parece que há mais algumas daquele lado do rio. Não vi muita coisa além disso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: