Meritocracia

setembro 17, 2011

O Brasil precisa de um Estado meritocrático e profissional.

A frase, dita pela presidente Dilma Rousseff na instalação da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, em 11 de maio, paira no ar sempre que se nomeia um novo ministro.

O discurso para justificar a contradição e defender escolhas no mínimo curiosas é de fazer inveja a vitrola quebrada: é preciso conciliar interesses, é preciso garantir a pluralidade, é preciso buscar um nome com habilidade política, é preciso enxergar além…

De fato, é preciso enxergar muito além para compreender como, num total de 39 ministérios, não exista um funcionário de carreira capaz de atender essas necessidades prementes e ocupar o posto mais alto da pasta. Ou para acreditar que dos 973 Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental em atividade no serviço público federal nem unzinho tenha “mérito” ou “profissionalismo” para chefiar um ministério.

Dilma deve ter aprendido com um incrível fenômeno que ocorre de tempos em tempos do outro lado da rua.

A Câmara se prepara para escolher um novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Os deputados poderiam indicar qualquer brasileiro com mais de 35 e menos de 65 anos; idoneidade moral e reputação ilibada; notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública; e mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija esse conhecimentos. Mas por que romper com a tradição? Assim, lançaram 13 colegas para disputar a vaga contra um solitário candidato azarão, Rosendo Severo, um mero… auditor de carreira do TCU.

Quem vai ganhar, ninguém sabe. Agora, quem vai perder…

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Uma resposta to “Meritocracia”

  1. Excelente reflexão, meu caro. Meritocracia e política ainda não caminham muito juntos, mas não vejo muito como sustentar isso por muito tempo. Afinal, ao ler postagens como essa sua, a população é chamada a refletir sobre a seguinte questão: quem será que entende mais de um assunto? O especialista no tema, que trabalha com aquilo há 10, 20, 30 anos, ou alguém que não sabe ao certo do que se trata, e estará ali apenas de passagem?
    Forte abraço e continue a brindar os leitores com textos como esse.

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